Cometa 3I/ATLAS: registro feito pela sonda Tianwen-1 a quase 29 milhões de quilômetros de distância (CNSA)
Redatora
Publicado em 24 de julho de 2026 às 12h58.
A sonda chinesa Tianwen-1 registrou novas imagens do cometa interestelar 3I/ATLAS durante sua passagem pelas proximidades de Marte. As fotografias, divulgadas pela Agência Espacial Nacional da China (CNSA), e repercutidas nesta sexta-feira, 24, pela ScienceDaily, mostram a cauda e a coma — nuvem de gás e poeira que envolve o núcleo do cometa —, reforçando que o objeto contém materiais voláteis liberados ao se aproximar do Sol.
As imagens foram captadas em 3 de outubro de 2025, quando o 3I/ATLAS estava a cerca de 29 milhões de quilômetros da sonda. Em órbita de Marte há quase cinco anos, a Tianwen-1 tornou-se uma das espaçonaves mais próximas a observar o visitante interestelar desde sua descoberta, em maio do ano passado.
O registro foi feito com a câmera de alta resolução HiRIC, originalmente desenvolvida para mapear a superfície de Marte. Segundo a CNSA, a equipe iniciou os preparativos para a observação semanas antes da passagem do cometa, realizando simulações, modelos teóricos e testes do instrumento.
A tarefa foi considerada especialmente difícil porque o 3I/ATLAS tem aproximadamente 5,6 quilômetros de diâmetro, estava muito distante e se deslocava a cerca de 58 km/s. Em relação à Tianwen-1, a velocidade chegava a aproximadamente 86 km/s, o que exigiu alta precisão no apontamento da câmera.
Mesmo projetada para registrar alvos muito mais brilhantes na superfície marciana, a HiRIC conseguiu captar o objeto, ainda que as imagens apresentem baixa definição.
As fotografias mostram uma cauda visível e uma coma, estruturas típicas dos cometas. Segundo os pesquisadores, essas observações reforçam evidências de que o 3I/ATLAS contém água e outros materiais voláteis, que começam a evaporar à medida que o corpo é aquecido pelo Sol.
Os cientistas também combinaram diversas imagens em uma animação para acompanhar o deslocamento do objeto durante sua trajetória pelo Sistema Solar.
O 3I/ATLAS é um objeto interestelar, ou seja, não se formou no Sistema Solar e veio de outro sistema estelar. Segundo os pesquisadores, analisar sua composição pode fornecer pistas sobre como outros sistemas planetários se formam e quais substâncias existem além da vizinhança do Sol.
No mesmo período, as sondas europeias Mars Express e ExoMars Trace Gas Orbiter, da Agência Espacial Europeia (ESA), também registraram imagens do 3I/ATLAS.
Os cientistas destacam que o cometa era extremamente difícil de detectar. Comparado às regiões iluminadas da superfície de Marte, ele aparecia entre 10 mil e 100 mil vezes menos brilhante, exigindo tempos de exposição maiores e processamento específico das imagens.
A observação do 3I/ATLAS também serve como preparação para futuras missões espaciais dedicadas a pequenos corpos celestes. Segundo os pesquisadores, a missão chinesa Tianwen-2 deverá visitar um asteroide próximo da Terra e, posteriormente, estudar um cometa.
Já a Agência Espacial Europeia desenvolve a missão Comet Interceptor, prevista para ser concluída até 2029, com o objetivo de permanecer em espera até que um cometa ou outro objeto promissor possa ser interceptado.
Para os cientistas, missões desse tipo poderão revelar detalhes sobre visitantes interestelares que não podem ser obtidos apenas por observações feitas a partir da Terra.