Café: consumo moderado foi associado a menor risco de doenças cardiovasculares (Getty Images)
Redatora
Publicado em 20 de julho de 2026 às 22h37.
Beber café diariamente pode fazer parte de um estilo de vida saudável e ainda ajudar a proteger o coração. Essa é a principal conclusão de uma nova declaração científica da Associação Americana do Coração (AHA), que revisou as evidências mais recentes sobre os efeitos da bebida e da cafeína na saúde cardiovascular.
O documento, publicado nesta segunda-feira, 20, na revista científica Circulation, reúne dezenas de estudos conduzidos por especialistas das instituições Harvard T.H. Chan School of Public Health e a Universidade George Washington. A revisão aponta que ingerir café de forma moderada é seguro para a maioria dos adultos e está associado a uma menor incidência de doenças cardiovasculares.
Segundo a declaração, consumir entre três e cinco xícaras de 240 ml por dia está associado a menor risco de doença arterial coronariana, insuficiência cardíaca, acidente vascular cerebral (AVC), fibrilação atrial, hipertensão e diabetes tipo 2.
Embora esse intervalo seja considerado seguro para a maior parte da população, os autores observam que os resultados mais favoráveis costumam aparecer entre duas e quatro xícaras diárias, quantidade suficiente para produzir efeitos biológicos sem atingir níveis elevados de cafeína.
A resposta ao café, porém, não é igual para todos. Características genéticas influenciam a velocidade com que a cafeína é metabolizada, tornando algumas pessoas mais sensíveis aos seus efeitos do que outras.
Além disso, os autores destacam que os resultados observados não podem ser atribuídos apenas à cafeína. O café reúne diversos compostos bioativos, como polifenóis, ácidos clorogênicos, trigonelina e melanoidinas, que apresentam propriedades antioxidantes e anti-inflamatórias.
Essas substâncias podem favorecer a saúde dos vasos sanguíneos, reduzir processos inflamatórios e melhorar o metabolismo da glicose. Essa combinação também ajuda a explicar por que alguns estudos identificaram efeitos semelhantes entre consumidores de café descafeinado.
A cafeína, por sua vez, parece atuar por diferentes mecanismos. Além de aumentar o estado de alerta, ela pode estimular a prática de atividade física, exercer efeito diurético e bloquear substâncias envolvidas no desenvolvimento da fibrilação atrial, um tipo de arritmia associado ao aumento do risco de AVC.
A forma de preparar a bebida pode alterar seus efeitos sobre a saúde cardiovascular. Métodos sem filtragem, como French press, café turco, café fervido escandinavo e, em menor proporção, o espresso, preservam maiores quantidades de cafestol, composto capaz de elevar os níveis de colesterol LDL, conhecido como colesterol "ruim".
Já o café preparado com filtro de papel e o café solúvel praticamente eliminam essa substância e não apresentaram esse efeito nas pesquisas avaliadas.
Os especialistas também chamam atenção para os ingredientes adicionados à bebida. Grandes quantidades de açúcar, xaropes e cremes ricos em gordura saturada podem reduzir ou até neutralizar parte dos efeitos favoráveis observados.
Enquanto o consumo moderado de café foi considerado seguro para a maioria dos adultos, a AHA faz uma ressalva em relação às bebidas energéticas e a produtos com altas concentrações de cafeína. Segundo o documento, essas fontes costumam fornecer doses muito superiores às encontradas no café e já foram associadas ao aumento da pressão arterial, alterações no ritmo cardíaco e, em situações extremas, episódios graves, como fibrilação ventricular e morte súbita.
Os autores reforçam, portanto, que os resultados observados para o café não devem ser extrapolados para energéticos, suplementos ou outras formas concentradas de cafeína.
Apesar do avanço das evidências, a associação destaca que ainda são necessários novos ensaios clínicos para esclarecer o papel de cada composto presente na bebida e compreender por que seus efeitos variam entre diferentes indivíduos.