Ciência

Exame de sangue de rotina pode prever risco de Alzheimer

Pesquisa com quase 400 mil pacientes associou níveis elevados de neutrófilos a maior probabilidade de desenvolver demência

Alzheimer: exame de sangue comum pode ajudar a identificar risco da doença antes mesmo do surgimento dos sintomas. (Gab13/Thinkstock)

Alzheimer: exame de sangue comum pode ajudar a identificar risco da doença antes mesmo do surgimento dos sintomas. (Gab13/Thinkstock)

Publicado em 24 de abril de 2026 às 06h58.

Um exame de sangue simples e amplamente utilizado pode ajudar a identificar o risco de desenvolver Alzheimer anos antes do surgimento dos primeiros sintomas. A descoberta está ligada a um marcador inflamatório comum, medido em exames de rotina, que pode indicar maior probabilidade de demência.

O estudo foi conduzido por pesquisadores do NYU Langone Health e da NYU Grossman School of Medicine, com resultados publicados na revista Alzheimer's & Dementia. A análise envolveu dados de quase 400 mil pacientes em diferentes sistemas de saúde.

Como um exame de sangue pode prever Alzheimer

O indicador analisado é a chamada relação neutrófilo-linfócito (RNL), calculada a partir de um hemograma completo — exame comum utilizado para avaliar infecções e o estado do sistema imunológico.

Os neutrófilos são células de defesa que aumentam em situações de inflamação. Quando esse número está elevado em relação a outras células imunes, pode indicar um desequilíbrio no organismo.

Segundo os pesquisadores, níveis mais altos dessa relação foram associados a um maior risco de desenvolver Alzheimer e outras formas de demência, tanto no curto quanto no longo prazo.

Um dos principais achados é que a elevação dos neutrófilos ocorre antes de qualquer sinal de declínio cognitivo. Isso sugere que o marcador pode funcionar como um alerta precoce, permitindo identificar pessoas em risco ainda em fases iniciais.

A análise considerou pacientes com mais de 55 anos e utilizou apenas exames realizados antes de qualquer diagnóstico de demência, o que reforça a possibilidade de uso preventivo da medição.

Sistema imunológico pode influenciar a doença

Os resultados também indicam que o sistema imunológico pode ter um papel mais ativo no desenvolvimento do Alzheimer do que se pensava.

Os neutrófilos, embora essenciais para combater infecções, podem contribuir para danos em tecidos em determinadas condições. Evidências apontam que processos inflamatórios associados a essas células podem afetar vasos sanguíneos e estruturas do cérebro.

Ainda não há relação de causa comprovada

Apesar da associação identificada, os pesquisadores destacam que ainda não é possível afirmar que os neutrófilos causam Alzheimer. O marcador deve ser interpretado como um fator de risco adicional, e não como um diagnóstico isolado.

A expectativa é que, combinado a outros indicadores, o exame possa ajudar médicos a identificar pacientes que necessitam de acompanhamento mais próximo e intervenções precoces.

Novos estudos estão em andamento para entender se os neutrófilos têm papel direto na progressão da doença ou se funcionam apenas como um sinal indireto. Os pesquisadores também investigam como esse marcador pode ser integrado a exames de imagem e avaliações cognitivas para melhorar o diagnóstico precoce do Alzheimer.

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