Repórter
Publicado em 19 de julho de 2026 às 11h16.
A ideia de que a Geração Z está abandonando o álcool perdeu força.
Um novo levantamento da IWSR, consultoria especializada em dados e inteligência de mercado para a indústria de bebidas alcoólicas, mostra que a participação dos jovens adultos no consumo de bebidas alcoólicas se estabilizou em um patamar semelhante ao da população adulta.
O grupo que mais reduziu o consumo nos últimos anos foi outro: os baby boomers, pessoas com mais de 60 anos.Segundo a pesquisa semestral Bevtrac, realizada pela consultoria em 15 mercados acompanhados desde 2023, entre eles Brasil, Estados Unidos, Reino Unido, China e Índia, 74% da Geração Z em idade legal para consumir álcool afirmam beber atualmente. O índice era de 66% há três anos e hoje está praticamente alinhado ao registrado entre toda a população adulta, de 76%.
Os dados reforçam uma mudança de percepção em um mercado que, nos últimos anos, passou a apostar na ideia de que os consumidores mais jovens estariam abandonando as bebidas alcoólicas em favor de hábitos mais saudáveis.
Além de reunirem a menor taxa de consumidores, os boomers também são os que bebem com menor frequência e em menor quantidade. Em média, consomem 2,6 doses por ocasião, abaixo das demais faixas etárias analisadas.
Já os millennials continuam sendo a geração que mais bebe: 81% afirmam consumir bebidas alcoólicas. A Geração X aparece na sequência, com participação de 77%.
Para Marten Lodewijks, presidente da IWSR, os resultados desmontam uma narrativa que ganhou força desde a pandemia.
"A narrativa de que a Geração Z é a geração da moderação foi definitivamente derrubada. Embora os jovens estejam criando novas formas de consumir bebidas alcoólicas, as evidências mostram que eles bebem em níveis muito semelhantes aos do restante da sociedade", afirmou.
Embora a participação da Geração Z tenha se aproximado da média da população adulta, seus hábitos continuam diferentes dos das gerações anteriores.
A pesquisa mostra que 84% dos jovens consumidores disseram ter tomado coquetéis nos últimos seis meses, o maior percentual entre todas as gerações analisadas. Também são os que mais afirmam seguir recomendações de órgãos de saúde sobre consumo de álcool: 49% disseram levar essas orientações em consideração.
Outro comportamento que diferencia esse público é o caráter mais social do consumo. A Geração Z foi a que mais relatou ter consumido bebidas alcoólicas em grupos com cinco ou mais pessoas na ocasião mais recente em que bebeu.
Hoje, os jovens representam cerca de 17% da população consumidora de bebidas alcoólicas nos mercados pesquisados. A expectativa da consultoria é que essa participação continue crescendo à medida que mais integrantes da geração atinjam a idade legal para consumo.
O levantamento mostra que a taxa de participação da população adulta no consumo de bebidas alcoólicas passou de 75% para 76% nos últimos três anos. Ao mesmo tempo, a quantidade ingerida em cada ocasião caiu de 4,4 para 3,9 doses, enquanto a frequência de consumo também diminuiu.
Segundo a IWSR, esse movimento indica que a moderação deixou de ser uma resposta temporária à inflação e passou a refletir uma mudança estrutural no comportamento do consumidor, impulsionada por escolhas relacionadas à saúde e ao estilo de vida.
"Cada vez mais observamos que, mesmo quando a renda cresce, o consumo de bebidas alcoólicas não acompanha esse ritmo. A moderação parece estar se consolidando como uma mudança estrutural, e não apenas cíclica", afirmou Lodewijks.
Para a indústria de bebidas, a tendência ajuda a explicar o crescimento de categorias como bebidas ready to drink, versões sem álcool, produtos com menor teor alcoólico e coquetéis prontos para consumo.