Ciência

Quanto tempo de musculação é preciso para viver mais? Estudo traz resposta

Pesquisa de 30 anos indica que combinar musculação e exercícios aeróbicos traz os melhores resultados para a longevidade

Musculação: benefícios máximos apareceram entre praticantes de treino de força e exercícios aeróbicos (Freepik)

Musculação: benefícios máximos apareceram entre praticantes de treino de força e exercícios aeróbicos (Freepik)

Publicado em 14 de junho de 2026 às 06h33.

A prática regular de musculação pode aumentar a longevidade, mas existe uma quantidade de treino que parece oferecer os maiores benefícios. É o que sugere um estudo publicado no British Journal of Sports Medicine, que acompanhou mais de 147 mil pessoas durante até 30 anos.

Segundo os pesquisadores, entre 90 e 120 minutos semanais de treinamento de força estiveram associados aos menores riscos de morte por diferentes causas. Os resultados foram ainda melhores quando os exercícios de resistência foram combinados com atividades aeróbicas.

Como foi feito o estudo

A pesquisa analisou dados de 147.374 participantes dos Estados Unidos, incluindo homens e mulheres acompanhados por três grandes estudos de saúde ao longo de décadas.

A cada dois anos, os voluntários informavam quanto tempo dedicavam ao treinamento de força e às atividades aeróbicas, como caminhada, corrida, ciclismo, natação e esportes.

Após ajustar fatores que poderiam influenciar os resultados, os cientistas observaram que pessoas que realizavam entre 90 e 119 minutos semanais de musculação apresentavam risco 13% menor de morte por qualquer causa.

Nessa mesma faixa de treinamento, o risco de morte por doenças cardiovasculares foi 19% menor e o de morte por doenças neurológicas ficou 27% abaixo do observado entre pessoas sedentárias.

Mais treino nem sempre significa mais benefícios

Um dos resultados que mais chamou atenção foi a ausência de ganhos adicionais acima de 120 minutos semanais de treinamento de força.

Embora a musculação continue sendo uma atividade saudável, os pesquisadores não encontraram evidências de que volumes maiores proporcionem reduções extras no risco de mortalidade.

Os dados sugerem que existe um ponto de equilíbrio em que os benefícios para a saúde atingem seu potencial máximo.

Exercícios aeróbicos como aliado

O menor risco de mortalidade foi registrado entre os participantes que combinavam musculação com altos níveis de atividade aeróbica. Enquanto o treinamento de força isolado esteve associado a uma redução de 7% a 11% no risco de morte, os exercícios aeróbicos apresentaram impacto ainda maior.

Participantes que acumulavam mais atividade cardiovascular e também realizavam musculação tiveram redução de até 58% no risco de mortalidade durante o período de acompanhamento.

Segundo os autores, os resultados reforçam as recomendações atuais de saúde pública, que incentivam a combinação dos dois tipos de exercício.

Estudo também encontrou benefícios para prevenção do câncer

Os pesquisadores observaram que mesmo pequenas quantidades de treinamento de força já estavam associadas a benefícios.

Entre aqueles que realizavam de um a 29 minutos de musculação por semana, o risco de morte por câncer foi 21% menor. Para quem treinava entre 30 e 59 minutos semanais, a redução foi de 18%.

Os cientistas destacam que diferentes desfechos de saúde podem exigir volumes distintos de treinamento para alcançar os melhores resultados.

Apesar disso, os autores ressaltam que o trabalho é observacional e, portanto, não comprova uma relação direta de causa e efeito. Além disso, as informações sobre atividade física foram fornecidas pelos próprios participantes, o que pode gerar imprecisões.

A pesquisa também não avaliou detalhes como intensidade dos treinos, carga utilizada, duração de cada sessão ou modalidades como pilates e calistenia.

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