Lua: cratera de Marius Hills pode dar acesso a uma estrutura subterrânea (NASA/GSFC/Universidade Estadual do Arizona)
Redatora
Publicado em 7 de outubro de 2026 às 15h31.
Um misterioso "buraco" na Lua pode ser a entrada para uma grande estrutura escondida abaixo da superfície. A Nasa selecionou um projeto que investigará se a cratera de Marius Hills está conectada a uma caverna subterrânea formada pela antiga atividade vulcânica lunar.
A iniciativa foi anunciada pelo Instituto de Ciência Planetária (PSI), que lidera o projeto, em comunicado publicado na última quinta-feira, 1º. Batizado de GIMLI, o programa combinará radar, sensores sísmicos, medições de gravidade e câmeras para investigar o subsolo da região.
Caso uma cavidade seja encontrada, os instrumentos também ajudarão a estimar suas dimensões. Além de revelar detalhes do passado vulcânico da Lua, estruturas desse tipo poderiam, no futuro, oferecer proteção natural para astronautas.
A estrutura investigada é conhecida como Marius Hills Pit, uma abertura localizada em uma das regiões lunares marcadas por extensa atividade vulcânica.
Observações realizadas da órbita já forneceram indícios de que cavernas e tubos de lava podem existir abaixo da superfície lunar. O que ainda não está confirmado é se uma dessas estruturas se estende a partir da abertura de Marius Hills.
É justamente essa questão que o GIMLI tentará responder diretamente na superfície. O projeto é liderado por Than Putzig, cientista do Instituto de Ciência Planetária (PSI), e foi selecionado pelo programa PRISM da Nasa.
Os instrumentos deverão chegar à Lua a bordo de um módulo de pouso e de um rover fornecidos pela iniciativa Commercial Lunar Payload Services (CLPS).
Em vez de depender apenas de imagens obtidas da órbita, os pesquisadores combinarão diferentes métodos para investigar o subsolo.
Um radar de penetração no solo buscará diferenças nas estruturas abaixo da superfície. Sensores sísmicos serão usados para obter informações sobre as propriedades do terreno, enquanto um gravímetro procurará pequenas alterações no campo gravitacional que possam indicar espaços vazios.
Câmeras também registrarão a superfície e as paredes expostas da abertura. A combinação dos dados deverá permitir que os cientistas procurem uma possível cavidade conectada a Marius Hills e, caso ela exista, estimem sua extensão.
Segundo Putzig, a união de métodos sísmicos, radar e gravidade deverá fornecer uma visão mais detalhada das propriedades do subsolo lunar.
Os tubos de lava são estruturas subterrâneas associadas à atividade vulcânica. Eles podem surgir quando a superfície de um fluxo de lava esfria e endurece enquanto material ainda líquido continua se deslocando por baixo. Quando a atividade termina, o fluxo pode deixar para trás um espaço vazio semelhante a um túnel.
Estruturas desse tipo são comuns em regiões vulcânicas da Terra. Por isso, encontrar uma na Lua poderia ajudar pesquisadores a reconstruir como antigos fluxos de lava modificaram sua superfície.
Na avaliação dos pesquisadores, a região de Marius Hills é especialmente interessante porque preserva sinais de uma longa história vulcânica. “Confirmar a existência de um tubo de lava substancial nos daria uma visão de como o vulcanismo funcionava na Lua”, afirmou Gareth Morgan, cientista sênior do PSI e investigador principal adjunto do GIMLI.
Uma grande cavidade lunar também despertaria interesse para futuras missões tripuladas.
A superfície da Lua apresenta condições extremas, incluindo exposição à radiação e grandes variações de temperatura. Uma estrutura subterrânea poderia oferecer proteção natural contra parte desses fatores.
No entanto, a possível utilização desses ambientes por astronautas é uma aplicação futura que dependeria de estudos adicionais sobre segurança, acesso e estabilidade das estruturas.
Mesmo que nenhuma grande caverna seja encontrada, os pesquisadores esperam obter informações importantes sobre a formação da região. As paredes de Marius Hills deixam expostas camadas de regolito e antigos fluxos de lava que normalmente permaneceriam enterrados.
A análise dessas estruturas poderá ajudar a determinar como a lava se deslocou pela região e se diferentes erupções aconteceram com grandes intervalos entre elas. Os dados também poderão fornecer pistas sobre a própria origem da abertura.
Para Morgan confirmar um tubo de lava permitiria comparar essas estruturas com formações vulcânicas semelhantes encontradas na Terra.