Universo: observatório inicia projeto para registrar bilhões de estrelas e galáxias (Imagem gerada por IA/EXAME)
Redatora
Publicado em 3 de julho de 2026 às 09h44.
A maior câmera digital já construída começou oficialmente sua principal missão científica. Instalado no Chile, o Observatório Vera C. Rubin iniciou um levantamento que, ao longo dos próximos dez anos, registrará bilhões de estrelas, galáxias e outros objetos celestes, produzindo um dos mapas mais detalhados do Universo já realizados.
O projeto é financiado pelo Departamento de Energia dos Estados Unidos e pela Fundação Nacional de Ciência (NSF). Segundo reportagem do The New York Times, os cientistas esperam que o observatório transforme o conhecimento sobre a formação da Via Láctea, a matéria escura e a evolução do Universo.
Nos últimos dias, o Vera C. Rubin deu início ao chamado Levantamento Legado do Espaço e do Tempo (Legacy Survey of Space and Time – LSST). Durante uma década, o telescópio fotografará todo o céu do hemisfério sul a cada dois dias, acompanhando continuamente o comportamento de bilhões de objetos astronômicos.
Além de registrar estrelas e galáxias distantes, o levantamento permitirá observar fenômenos como explosões estelares, movimentos de asteroides, cometas e outros corpos do Sistema Solar.
Segundo Phil Marshall, diretor-adjunto das operações do telescópio no Laboratório Nacional de Aceleradores SLAC, o projeto representa o fim de uma espera de cerca de 30 anos.
O objetivo é produzir um conjunto de dados capaz de responder a perguntas importantes da astronomia e, ao mesmo tempo, identificar fenômenos que ainda nem foram previstos pelos cientistas.
De acordo com Marshall, o levantamento foi projetado para observar praticamente tudo o que estiver visível no céu, inclusive eventos e objetos ainda desconhecidos.
Os pesquisadores esperam que o enorme volume de informações ajude a compreender melhor como surgiu a Via Láctea, como a matéria escura influencia a estrutura do Universo e quais processos moldaram a evolução das galáxias ao longo do tempo.
Nos próximos anos, milhares de astrônomos de diferentes países deverão analisar os dados produzidos pelo observatório em busca de novas descobertas.
Mesmo antes do início oficial da missão científica, o Vera C. Rubin já vinha passando por testes e calibrações. Segundo Bob Blum, diretor de operações do observatório, a equipe também trabalhou para garantir que o sistema funcione de forma estável durante toda a década de observações.
Nesse período de preparação, o telescópio já registrou imagens do cometa interestelar 3I/ATLAS e identificou mais de 11 mil novos asteroides, demonstrando o potencial do equipamento antes mesmo do início do levantamento completo.
Para os pesquisadores, a enorme quantidade de dados produzida pelo observatório deverá se tornar uma das principais fontes de informação da astronomia nas próximas décadas e abrir caminho para descobertas que ainda não podem ser antecipadas.