Ciência

James Webb revela atmosfera inesperada em planeta 'infernal' de lava

Observações indicam que o exoplaneta 55 Cancri e pode possuir uma atmosfera rica em hidrogênio, alimentada por gases liberados de seu interior vulcânico

Exoplaneta: estudo sugere que o interior derretido influencia diretamente a atmosfera (Freepik)

Exoplaneta: estudo sugere que o interior derretido influencia diretamente a atmosfera (Freepik)

Publicado em 17 de julho de 2026 às 08h49.

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O Telescópio Espacial James Webb revelou novos detalhes sobre um dos planetas rochosos mais extremos já descobertos. Conhecido como 55 Cancri e, o exoplaneta possui temperaturas altas o suficiente para derreter rochas e, segundo novas observações, pode abrigar uma atmosfera muito diferente do que os cientistas imaginavam.

O estudo, divulgado pela Universe Today e submetido para publicação na revista Nature Astronomy, indica que esse mundo provavelmente possui uma atmosfera abundante em hidrogênio, continuamente abastecida por gases liberados de seu interior. A descoberta oferece uma oportunidade rara para investigar a composição e a evolução de planetas rochosos fora do Sistema Solar.

Como é o planeta 55 Cancri e?

Localizado a cerca de 41 anos-luz da Terra, o 55 Cancri e é classificado como uma superterra, por possuir aproximadamente 1,9 vez o raio e cerca de oito vezes a massa do nosso planeta.

O astro é capaz de completar uma volta ao redor de sua estrela em apenas 0,7 dia, permanecendo extremamente próximo dela. Essa curta distância faz com que a superfície atinja temperaturas capazes de manter grande parte das rochas em estado líquido.

Os pesquisadores acreditam que o planeta esteja em rotação sincronizada, mantendo sempre a mesma face voltada para sua estrela, como ocorre com a Lua em relação à Terra. Dessa forma, um dos lados permanece constantemente iluminado e superaquecido.

O que o James Webb descobriu sobre a atmosfera?

A equipe utilizou o James Webb para observar cinco eclipses do planeta e analisar a luz emitida por sua atmosfera.

Os modelos anteriores previam que um planeta como 55 Cancri e teria uma composição dominada por monóxido de carbono (CO) e dióxido de carbono (CO₂). No entanto, os dados revelaram um cenário diferente.

As observações apontam para uma atmosfera com grande quantidade de hidrogênio, além de monóxido de carbono e níveis relativamente baixos de dióxido de carbono.

Segundo os pesquisadores, essa composição sugere que gases provenientes do interior do planeta continuam sendo liberados para a atmosfera, alimentando continuamente esse ambiente extremo.

Vulcanismo pode alterar a atmosfera do planeta

Além disso, um outro resultado chamou a atenção da equipe. As cinco observações apresentaram diferenças entre si, indicando que a atmosfera pode mudar ao longo do tempo.

Uma das hipóteses é que erupções vulcânicas liberem grandes quantidades de gases capazes de formar nuvens temporárias. Essas formações poderiam bloquear parte da radiação da estrela, resfriando momentaneamente a superfície antes de se dissiparem.

Se confirmado, esse comportamento indicaria que o planeta possui um ciclo atmosférico dinâmico, mesmo sob condições extremamente hostis.

O que essa descoberta revela sobre o interior do planeta?

Os pesquisadores afirmam que a composição da atmosfera funciona como uma janela para o interior de 55 Cancri e. A predominância de hidrogênio indica um ambiente com baixa disponibilidade de oxigênio, compatível com um interior dominado por um oceano de magma, de onde gases continuam escapando para o espaço.

Como os cientistas não conseguem observar diretamente o interior de exoplanetas, esse tipo de análise representa uma das poucas formas de investigar sua estrutura e evolução.

Por que os planetas de lava interessam aos astrônomos?

Nas últimas décadas, diversos planetas de lava foram descobertos em outras estrelas, despertando o interesse dos pesquisadores.

Diferentemente da lua Io, de Júpiter, cujo intenso vulcanismo é provocado pelas forças gravitacionais do planeta gigante, mundos como 55 Cancri e são aquecidos principalmente pela enorme proximidade com suas estrelas.

Com o avanço de telescópios como o James Webb, os astrônomos esperam compreender melhor como esses exoplanetas se formam, como evoluem ao longo do tempo e de que maneira seus interiores influenciam a composição de suas atmosferas.

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