Terra: cientistas identificaram um processo que ajudou a manter o planeta habitável ao longo de milhões de anos (Nasa/Reprodução)
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Publicado em 18 de julho de 2026 às 08h50.
A Terra pode ter contado, por dezenas de milhões de anos, com um mecanismo natural capaz de evitar mudanças climáticas extremas. Cientistas identificaram um processo que conecta as variações do nível do mar, a circulação de nutrientes nos oceanos e o armazenamento de carbono no fundo marinho, funcionando como um regulador da temperatura do planeta em escalas geológicas.
O estudo foi realizado por pesquisadores da Universidade de Syracuse, em parceria com cientistas das universidades de Oxford e Copenhague, e publicado na revista Proceedings of the National Academy of Sciences (PNAS). Segundo a equipe, a descoberta ajuda a explicar como a Terra permaneceu habitável mesmo diante de grandes transformações climáticas ocorridas nos últimos 60 milhões de anos.
O mecanismo começa com as mudanças no nível do mar. Quando os oceanos avançam sobre as plataformas continentais, uma quantidade maior de fosfato — nutriente essencial para a vida marinha — fica retida nos sedimentos próximos à costa.
Com menos fosfato disponível no oceano aberto, diminui o crescimento de organismos marinhos responsáveis por retirar carbono da superfície.
Diante desse cenário, menos carbono orgânico é enterrado no fundo do mar, permitindo que uma quantidade maior de dióxido de carbono permaneça na atmosfera e favoreça um clima mais quente.
Quando o nível do mar diminui, o processo segue o caminho inverso. Mais fosfato alcança o oceano aberto, estimulando a proliferação de organismos marinhos.
Depois que esses seres morrem, parte do carbono presente em seus corpos afunda e permanece armazenada nos sedimentos oceânicos por milhões de anos. Esse soterramento reduz a quantidade de dióxido de carbono na atmosfera e contribui para o resfriamento gradual do planeta.
Segundo os pesquisadores, esse ciclo de retroalimentação funciona como um regulador natural capaz de equilibrar o clima ao longo de extensos períodos da história da Terra.
Embora o papel do dióxido de carbono na regulação do clima já fosse conhecido, os cientistas afirmam que a influência do fosfato ainda era pouco compreendida.
Como esse nutriente controla a produtividade da vida marinha, ele também determina quanto carbono será retirado da atmosfera e armazenado no fundo dos oceanos.
Para testar essa hipótese, os pesquisadores reuniram diferentes registros geológicos, incluindo dados sobre carbono, fósforo e níveis de oxigênio preservados em sedimentos marinhos. Os resultados mostraram que o mecanismo previsto pelos modelos coincide com as evidências registradas ao longo dos últimos 60 milhões de anos.
A análise também identificou um intervalo em que esse sistema se torna mais eficiente. Segundo o estudo, o maior armazenamento de carbono ocorreu quando o nível do mar permaneceu entre 10 e 40 metros acima do atual.
Nessas condições, regiões pobres em oxigênio avançavam sobre sedimentos ricos em matéria orgânica, favorecendo o soterramento de grandes quantidades de carbono por longos períodos.
Na avaliação dos pesquisadores, esse processo desempenhou um papel importante na redução gradual do dióxido de carbono atmosférico e contribuiu para a transição da Terra para um clima mais frio.