Telescópio Roman: coronógrafo captou suas primeiras imagens do espaço (Nasa/Divulgação)
Redatora
Publicado em 5 de outubro de 2026 às 10h00.
O Telescópio Espacial Nancy Grace Roman, da Nasa, deu um passo importante para começar a observar planetas fora do Sistema Solar. Pela primeira vez, seu coronógrafo recebeu luz do espaço e produziu imagens de estrelas durante testes realizados em setembro.
O instrumento foi projetado para bloquear a intensa luz das estrelas e permitir a observação de objetos muito mais tênues próximos a elas, como exoplanetas e discos de poeira.
Segundo informações da Nasa, os testes também mostraram que o Roman consegue manter o apontamento com precisão superior a 1/100.000 de grau durante longos períodos. O desempenho é comparável a manter um laser direcionado para uma moeda a cerca de 240 quilômetros de distância.
Os resultados fazem parte do processo de comissionamento do observatório. A equipe ainda pretende aprimorar o sistema antes das observações científicas mais complexas.
Entre 15 e 21 de setembro, engenheiros testaram o sistema de guiamento fino do telescópio, responsável por mantê-lo apontado para a região correta do céu.
O principal instrumento científico do Roman, chamado Wide Field Instrument, possui 18 detectores. Pequenas áreas desses equipamentos monitoram estrelas cujas posições são conhecidas com grande precisão.
As informações são enviadas cerca de quatro vezes por segundo ao sistema de controle do observatório. A partir delas, o telescópio consegue realizar pequenas correções para compensar eventuais desvios.
Nos testes, o Roman manteve a estabilidade necessária por meia hora com o Wide Field Instrument e por até oito horas com o coronógrafo.
A equipe espera aumentar ainda mais essa precisão. Caso alcance a meta estabelecida, a comparação do laser poderia ser estendida de 240 para cerca de 370 quilômetros.
O coronógrafo recebeu luz cósmica pela primeira vez em 22 de setembro. Cinco dias depois, a equipe realizou outro teste combinando o instrumento com o sistema de orientação precisa do telescópio.
A tecnologia precisa de estabilidade extrema porque pequenos movimentos podem permitir a passagem da luz estelar. Esse brilho poderia esconder os planetas muito mais tênues que orbitam essas estrelas.
Na primeira observação preliminar, o coronógrafo apontou para uma estrela tênue na Grande Nuvem de Magalhães, galáxia vizinha da Via Láctea.
Os detectores ainda estavam propositalmente mais quentes que a temperatura prevista para as operações científicas, medida adotada para evitar o acúmulo de contaminantes.
Em seguida, a equipe resfriou os equipamentos e apontou para outra região da Grande Nuvem de Magalhães. Desta vez, o instrumento registrou diversas estrelas na mesma imagem.
Segundo Vanessa Bailey, cientista do coronógrafo no Laboratório de Propulsão a Jato da Nasa, o resultado confirmou que o instrumento consegue produzir imagens nítidas.
O telescópio também deverá experimentar uma técnica de orientação que, segundo a Nasa, ainda não foi utilizada dessa maneira em outros observatórios espaciais.
Em vez de depender de um instrumento de guia separado, o Roman poderá usar espectros, padrões que mostram como a luz de um objeto se distribui em diferentes comprimentos de onda.
Como o observatório já foi desenvolvido para medir essas informações durante suas pesquisas, os mesmos dados poderão ajudar a determinar e manter sua posição no espaço.
Dessa forma, a Nasa pretende validar esse método durante as próximas etapas dos testes. O processo permitirá preparar o Roman para observações mais sofisticadas com seus instrumentos científicos.