Corrida espacial: China e Estados Unidos disputam a liderança na nova era da exploração da Lua (Imagem gerada por IA/EXAME/Exame)
Redatora
Publicado em 21 de agosto de 2026 às 07h53.
Enquanto os Estados Unidos tentam retomar os voos tripulados à Lua por meio do programa Artemis, a China avança em um plano de longo prazo que inclui levar astronautas à superfície até 2030 e construir uma base lunar permanente na década seguinte.
Nos últimos anos, o país colocou em operação a estação espacial Tiangong, trouxe à Terra as primeiras amostras coletadas do lado oculto da Lua e ampliou seus investimentos em missões lunares. Segundo reportagem da CNN, esses avanços vêm aumentando a preocupação de autoridades e especialistas norte-americanos, que veem a exploração lunar como uma questão estratégica para as próximas décadas.
O principal foco da nova corrida espacial é o polo sul da Lua, onde cientistas acreditam existir depósitos de gelo de água. O recurso poderá ser utilizado para produzir água potável, oxigênio e combustível para foguetes, tornando viáveis futuras bases permanentes e missões ao espaço profundo.
Em entrevista à CNN, a Administração Espacial Nacional da China (CNSA) afirmou que a missão Chang'e-7, prevista para este ano, utilizará um orbitador, um módulo de pouso, um rover e um veículo saltador para investigar diretamente a presença desse gelo e coletar dados inéditos sobre a região.
Os Estados Unidos também preparam missões robóticas para o polo sul, incluindo o módulo de pouso Griffin, desenvolvido pela Astrobotic com financiamento da Nasa.
O governo chinês mantém a meta de realizar seu primeiro pouso tripulado na Lua até 2030. Para isso, desenvolve um sistema formado pelo foguete Longa Marcha-10, pela cápsula tripulada Mengzhou e pelo módulo lunar Lanyue.
A estratégia chinesa é considerada mais simples do que a adotada pelos Estados Unidos. O plano prevê dois lançamentos — um com a cápsula tripulada e outro com o módulo lunar — que se encontram em órbita antes da descida à superfície, dispensando o reabastecimento em órbita previsto na arquitetura americana.
Especialistas ouvidos pela emissora avaliam que essa abordagem pode facilitar o cumprimento do cronograma anunciado por Pequim.
O objetivo chinês vai além de repetir os pousos realizados durante o programa Apollo. Segundo informações da CNSA, o país trabalha no desenvolvimento da Estação Internacional de Pesquisa Lunar (ILRS), projeto conduzido em parceria com a Rússia que prevê uma instalação científica permanente na superfície da Lua.
A proposta é iniciar as operações com sistemas robóticos e, futuramente, receber astronautas. Entre os projetos estudados está o uso de uma usina nuclear para fornecer energia à base.
Os Estados Unidos também anunciaram planos para estabelecer uma presença permanente na Lua, incluindo estudos para instalar um reator nuclear e desenvolver infraestrutura capaz de sustentar missões de longa duração.
Além da tecnologia, a disputa envolve o futuro da exploração dos recursos lunares. Os Estados Unidos defendem os Acordos de Artemis, conjunto de princípios internacionais que regulamentam a exploração da Lua e já foi assinado por dezenas de países.
A China não aderiu ao documento e afirma seguir as diretrizes do Tratado do Espaço Exterior, de 1967, que proíbe a apropriação territorial de corpos celestes.