Ômega-3: estudo não confirmou benefícios do óleo de peixe para o cérebro (Freepik)
Redatora
Publicado em 5 de julho de 2026 às 16h16.
Os suplementos de óleo de peixe ricos em ômega-3 são amplamente utilizados por pessoas que buscam proteger a saúde do cérebro e reduzir o risco de demência. No entanto, um novo ensaio clínico indica que essa estratégia pode não trazer os benefícios esperados para a prevenção da doença de Alzheimer.
Pesquisadores da Keck School of Medicine, da Universidade do Sul da Califórnia (USC), acompanharam durante dois anos 365 adultos entre 55 e 80 anos com maior risco para Alzheimer.
O estudo, publicado neste mês na revista eBioMedicine, mostrou que, embora o principal componente do suplemento tenha chegado ao cérebro, ele não melhorou a memória, o desempenho cognitivo, tampouco reduziu a perda de tecido cerebral associada à doença.
Todos os participantes consumiam pouco peixe, uma das principais fontes naturais de ômega-3, e quase metade era portadora do gene APOE4, considerado o principal fator genético de risco para o Alzheimer de início tardio.
Os voluntários receberam diariamente um suplemento contendo 2.000 miligramas de ácido docosa-hexaenoico (DHA) — um tipo de ômega-3 importante para a estrutura e o funcionamento das células cerebrais — ou um placebo.
Após seis meses, os pesquisadores verificaram aumento médio de 17% nos níveis de DHA no líquido cefalorraquidiano, demonstrando que o nutriente realmente chegou ao cérebro.
Apesar desse aumento, os participantes que tomaram o suplemento não apresentaram melhora nos testes de memória e raciocínio em comparação com aqueles que receberam placebo.
Os exames de imagem também mostraram que o óleo de peixe não reduziu a perda de volume do hipocampo, região cerebral fundamental para a memória e frequentemente afetada nas fases iniciais da doença de Alzheimer.Segundo o pesquisador Hussein Naji Yassine, autor principal do estudo, os resultados não apontam o uso de suplementos de óleo de peixe como estratégia para prevenir a doença.
Os pesquisadores sugerem que o cérebro pode utilizar os ácidos graxos ômega-3 de forma diferente quando eles fazem parte de um padrão alimentar saudável, como a dieta mediterrânea, em vez de serem consumidos isoladamente em cápsulas.
Estudos anteriores já associaram a dieta mediterrânea — rica em peixes, azeite, frutas, verduras e oleaginosas — a um menor risco de declínio cognitivo e Alzheimer.
A equipe afirma que novas pesquisas buscarão entender como fatores como idade, genética, alimentação e estado geral de saúde influenciam a capacidade do cérebro de aproveitar o ômega-3.
Embora o estudo não tenha avaliado diretamente hábitos de vida, os pesquisadores reforçam que as evidências atuais continuam apontando para medidas já conhecidas para reduzir o risco de demência. Entre elas estão a prática regular de atividade física, uma alimentação equilibrada, sono adequado e o controle de fatores como hipertensão, diabetes e obesidade.
Os autores destacam que os resultados não significam que o ômega-3 seja prejudicial ou deixe de desempenhar funções importantes no organismo, mas indicam que, isoladamente, a suplementação com óleo de peixe não demonstrou proteger o cérebro nem prevenir alterações relacionadas ao Alzheimer em pessoas com maior risco para a doença.