GLP-1 oral: medicamento experimental ajudou pacientes com diabetes tipo 2 a controlar a glicemia e perder peso em estudo clínico (Freepik)
Redatora
Publicado em 20 de junho de 2026 às 06h15.
Medicamentos à base de GLP-1 transformaram o tratamento do diabetes tipo 2 e da obesidade nos últimos anos, impulsionados principalmente por terapias injetáveis. Agora, um novo comprimido experimental pode ampliar as opções disponíveis ao combinar controle da glicemia e perda de peso em uma formulação oral.
Os resultados foram apresentados durante as Sessões Científicas da Associação Americana de Diabetes (ADA) e publicados na revista científica The Lancet.
A pesquisa analisou o elecoglipron, um agonista oral do receptor GLP-1 desenvolvido para o tratamento do diabetes tipo 2.
O estudo de fase 2b, denominado SOLSTICE, foi conduzido em nove países e incluiu 406 adultos com a doença. Os participantes foram distribuídos aleatoriamente entre diferentes doses do medicamento ou placebo durante 26 semanas.
O objetivo era avaliar tanto o controle dos níveis de glicose no sangue quanto os efeitos sobre o peso corporal.
Ao final do acompanhamento, o elecoglipron apresentou resultados superiores aos do placebo em todas as doses avaliadas.
Segundo os pesquisadores, até 89,6% dos participantes que receberam o medicamento atingiram níveis de hemoglobina glicada (HbA1c) de até 7%, valor considerado uma das principais metas terapêuticas para pessoas com diabetes tipo 2. No grupo placebo, esse percentual foi de 24,9%.
A hemoglobina glicada mede a média dos níveis de glicose no sangue ao longo dos últimos dois a três meses e é um dos indicadores mais utilizados para monitorar o controle da doença.
Além da melhora glicêmica, o tratamento foi associado a uma redução significativa do peso corporal. De acordo com o estudo, até 72,3% dos pacientes tratados com elecoglipron perderam pelo menos 5% do peso corporal durante o período analisado.
Entre os participantes que receberam placebo, essa proporção foi de 20,2%.
Os pesquisadores destacam que a combinação entre controle da glicose e redução de peso é um dos principais atrativos das terapias baseadas em GLP-1.Atualmente, muitos medicamentos dessa classe são administrados por injeção subcutânea. Embora já exista uma versão oral da semaglutida para diabetes tipo 2, ela exige cuidados específicos de administração, como ser tomada em jejum e sem ingestão de alimentos ou líquidos por cerca de 30 minutos após o uso.
Segundo a pesquisadora Vanita Aroda, do Mass General Brigham e principal autora do estudo, o desenvolvimento de novos medicamentos orais busca justamente superar algumas dessas limitações.
Ainda de acordo com a pesquisadora, os resultados reforçam o potencial crescente dos agonistas orais do receptor GLP-1 como alternativa para pessoas com diabetes tipo 2.
Os autores relataram que o perfil de segurança observado foi, em geral, semelhante ao registrado com outros medicamentos da mesma classe em desenvolvimento.
Apesar dos resultados positivos, o elecoglipron ainda está em fase de testes clínicos e precisará passar por estudos adicionais antes de uma eventual aprovação regulatória. Ainda assim, os dados apresentados indicam que tratamentos orais capazes de combinar controle glicêmico e perda de peso podem se tornar uma alternativa cada vez mais relevante para pessoas que vivem com diabetes tipo 2.