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Como a inteligência artificial está redesenhando a estrutura das organizações (Magnific/Reprodução)
Jornalista
Publicado em 7 de julho de 2026 às 11h47.
A inteligência artificial deixou de ser um projeto-piloto isolado em departamentos de tecnologia para se tornar parte da infraestrutura de decisão das empresas. Relatórios recentes de consultorias globais indicam que essa mudança já afeta a forma como companhias organizam equipes, definem investimentos e redesenham processos.
Segundo a consultoria Gartner, mais de 80% das empresas devem adotar alguma solução de inteligência artificial até o final de 2026. A McKinsey & Company, no relatório Superagency in the Workplace, aponta que a maior parte das organizações já investe em IA e enxerga na tecnologia uma oportunidade de gerar até US$ 4,4 trilhões em produtividade no longo prazo.
O estudo também descreve o conceito de "superagência": um modelo em que pessoas e sistemas de IA atuam de forma combinada, com a tecnologia apoiando execução e análise, enquanto profissionais mantêm o julgamento e a tomada de decisão.
Organizações que escalam o uso de IA em múltiplas áreas registram ganhos de produtividade entre 20% e 30%, segundo a McKinsey. Em paralelo, projeções da PwC estimam que a inteligência artificial pode adicionar até US$ 15,7 trilhões à economia global até 2030, reforçando o papel da tecnologia como fator de competitividade entre setores.
Apesar da adoção em larga escala, a maturidade no uso da IA ainda é rara. De acordo com a McKinsey, apenas 1% dos líderes empresariais classifica suas organizações como "maduras" em inteligência artificial — ou seja, com a tecnologia totalmente integrada aos fluxos de trabalho e gerando resultados consistentes.
O relatório HR Monitor 2026, também da consultoria, mostra que apenas 11% das organizações adotam uma abordagem estratégica de longo prazo para o planejamento da força de trabalho diante da automação, o que dificulta a antecipação das competências que serão necessárias nos próximos anos.
Os dados indicam um descompasso entre a percepção dos profissionais e a preparação das empresas. Segundo a McKinsey, 71% dos trabalhadores acreditam que a IA afetará diretamente suas funções, mas apenas 25% dos profissionais europeus receberam formação em IA generativa até agora. Esse cenário sugere que o diferencial competitivo entre organizações não estará apenas na ferramenta adotada, mas na capacidade de redesenhar processos e qualificar equipes para usá-la.
Para gestores e profissionais, isso significa que acompanhar a evolução da IA passa a ser tão relevante quanto entender qualquer outra competência técnica da função — e que investir em capacitação estruturada tende a ser decisivo para atravessar essa transição.