Ciência

Nem demais, nem de menos: tempo ideal de sono pode retardar envelhecimento

Cientistas identificaram sinais de envelhecimento acelerado em pessoas que dormiam pouco ou em excesso

Sono: dormir pouco ou demais foi associado a piores indicadores biológicos (Getty Images)

Sono: dormir pouco ou demais foi associado a piores indicadores biológicos (Getty Images)

Publicado em 15 de maio de 2026 às 14h16.

O tempo ideal de sono pode estar associado a um envelhecimento mais lento e a menores riscos de doenças, segundo um estudo publicado na revista Nature. Os pesquisadores identificaram que hábitos como  dormir pouco ou em excesso estiveram ligados a sinais biológicos de envelhecimento acelerado.

O estudo foi conduzido por pesquisadores da Universidade Columbia com base em dados de cerca de 500 mil adultos do UK Biobank, um dos maiores bancos de dados de saúde do mundo.

Segundo os cientistas, pessoas que dormiam entre seis e oito horas por noite apresentaram, em média, melhores indicadores de saúde e menores taxas de doenças como diabetes tipo 2 e depressão.

Relógios biológicos revelaram impacto do sono

Para analisar os efeitos do sono no envelhecimento, os pesquisadores utilizaram 23 “relógios biológicos” diferentes capazes de estimar a idade biológica de 17 órgãos e sistemas do corpo.

Esses relógios foram desenvolvidos a partir de proteínas, metabólitos, exames de imagem e outros biomarcadores ligados ao envelhecimento.

Segundo o neurocientista computacional Junhao Wen, o padrão observado seguiu frequentemente uma curva em formato de “U”. Isso significa que os sinais de envelhecimento aumentavam tanto em pessoas que dormiam menos quanto naquelas que dormiam acima da faixa considerada ideal.

Cérebro e coração responderam de formas diferentes

O estudo também mostrou que diferentes órgãos podem reagir de maneiras distintas à duração do sono. Segundo um dos relógios biológicos analisados, o coração apresentou melhores indicadores em pessoas que dormiam cerca de seis horas por noite. Já marcadores ligados ao cérebro apontaram resultados mais favoráveis próximos de oito horas.

Os pesquisadores também identificaram diferenças entre homens e mulheres em alguns sinais de envelhecimento biológico. Apesar dessas variações, o intervalo entre seis e oito horas concentrou os melhores resultados gerais relacionados à saúde.

Apesar disso, os autores ressaltam que a pesquisa não comprova que dormir exatamente nesse intervalo desacelere diretamente o envelhecimento.

Segundo os pesquisadores, ainda não é possível determinar completamente a relação de causa e efeito entre sono e envelhecimento. Alterações no descanso podem afetar o funcionamento do organismo, mas problemas de saúde também podem comprometer a qualidade e a duração do sono. Para a equipe, essa relação provavelmente acontece nos dois sentidos.

Sono pode ser ferramenta importante para saúde

Especialistas afirmam que os resultados reforçam a importância do sono para o funcionamento do organismo como um todo. A neuroepidemiologista Abigail Dove destacou à Nature que dormir bem influencia praticamente todos os órgãos do corpo e pode representar um fator de saúde relativamente modificável no dia a dia.

Os pesquisadores também observaram que fatores ambientais parecem exercer influência maior sobre o sono do que fatores genéticos.

Nesse sentido, os cientistas avaliam que compreender melhor a relação entre sono e envelhecimento pode ajudar futuramente no desenvolvimento de estratégias para reduzir riscos de doenças associadas à idade.

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