Cérebro humano: novos estudos mudam entendimento sobre a dopamina (Yuichiro Chino/Getty Images)
Repórter
Publicado em 22 de abril de 2026 às 19h40.
Última atualização em 22 de abril de 2026 às 19h45.
Pesquisadores identificaram que astrócitos, células cerebrais historicamente menos valorizadas, formam redes extensas no cérebro de camundongos, com características semelhantes, em alguns aspectos, aos circuitos criados pelos neurônios. A descoberta foi detalhada em um estudo publicado pela Nature.
O grupo elaborou um mapa tridimensional de todo o cérebro, descrito pelos autores como o primeiro a revelar, em escala global, a organização dessas redes de astrócitos. O levantamento mostra que as células formam verdadeiras teias capazes de conectar regiões distantes do cérebro, permitindo a troca de moléculas ao longo de longas distâncias. “É como um sistema secreto de metrô que não sabíamos que existia”, afirmou Shane Liddelow, neurocientista da NYU Grossman School of Medicine, em Nova York, e um dos autores do estudo.
De acordo com os pesquisadores, essas redes podem conectar os dois hemisférios cerebrais e apresentam plasticidade, ou seja, são capazes de reorganizar suas conexões em resposta a alterações sensoriais, como a privação de estímulos.
Para David Lyons, neurobiólogo da Universidade de Edimburgo, no Reino Unido, que não participou da pesquisa, o trabalho representa um avanço fundamental na compreensão da estrutura do sistema nervoso. Segundo ele, apesar da relevância da descoberta, as evidências levantam mais perguntas do que respostas. “Ainda estamos longe de entender qual é a relevância funcional e o papel dessas redes, mas as possibilidades são inúmeras”, avaliou.
Os astrócitos são conhecidos por dar suporte aos neurônios, ajudando a remover resíduos químicos acumulados nas sinapses e a fornecer moléculas essenciais ao funcionamento neuronal. Essas células ocupam os espaços entre os neurônios e, segundo Liddelow, “preenchem cada canto do cérebro”.
Diferentemente dos neurônios, que possuem longos axônios, parte do neurônio responsável pela condução dos impulsos elétricos e responsáveis pela transmissão de sinais a grandes distâncias, os astrócitos não contam com essas estruturas. Quando esses prolongamentos se encontram, as células se conectam por meio de pequenos canais chamados junções comunicantes, que permitem a troca de substâncias como cálcio e glicose.
Até então, os cientistas não sabiam até que ponto essas cadeias de astrócitos interligados poderiam se estender. Na ausência de dados detalhados, predominava a hipótese de que essas redes fossem altamente localizadas, percepção que o novo estudo coloca em xeque.