Ciência

Cientistas descobrem 'ponto fraco' de bactérias que causam diarreia

Estudo identificou enzimas compartilhadas por E. coli, Shigella e outros patógenos, abrindo caminho para uma vacina única

Bactérias intestinais: descoberta pode orientar o desenvolvimento de uma vacina contra múltiplos patógenos (Freepik)

Bactérias intestinais: descoberta pode orientar o desenvolvimento de uma vacina contra múltiplos patógenos (Freepik)

Publicado em 7 de julho de 2026 às 09h21.

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Pesquisadores identificaram uma vulnerabilidade compartilhada por algumas das bactérias que mais causam diarreia no mundo, incluindo a Escherichia coli enterotoxigênica (ETEC) e a Shigella. A descoberta pode abrir caminho para o desenvolvimento de uma única vacina capaz de proteger contra diferentes infecções intestinais antes mesmo que elas se instalem.

O estudo foi conduzido por pesquisadores da Universidade de Washington em St. Louis, em colaboração com a Universidade de Missouri e o Centro Internacional de Pesquisa de Doenças Diarreicas de Bangladesh. Os resultados foram publicados na revista Proceedings of the National Academy of Sciences (PNAS).

Como as bactérias conseguem infectar o intestino

Antes de provocar a doença, essas bactérias precisam romper a camada de muco que reveste o intestino e impede o contato direto de microrganismos com os tecidos.

Segundo os pesquisadores, tanto a E. coli quanto a Shigella utilizam enzimas capazes de degradar proteínas que dão sustentação a essa barreira protetora. Depois de atravessá-la, os patógenos conseguem liberar toxinas e desencadear episódios de diarreia.

O novo estudo identificou três enzimas com funcionamento semelhante — EatA, SepA e Pic — utilizadas por diferentes bactérias para superar essa primeira linha de defesa do organismo.

Anticorpos bloquearam diferentes bactérias

A equipe analisou amostras de pessoas infectadas naturalmente em Bangladesh e de voluntários que participaram de estudos controlados de exposição à ETEC. Os cientistas descobriram que anticorpos produzidos contra a enzima EatA também conseguiam neutralizar as enzimas SepA e Pic.

Para entender esse mecanismo, os pesquisadores utilizaram microscopia crioeletrônica, técnica que permite visualizar moléculas em alta resolução.

As análises mostraram que os anticorpos reconhecem uma região comum presente nas três enzimas, impedindo que elas degradem a camada de muco do intestino. Com isso, as bactérias têm dificuldade para estabelecer a infecção.

Descoberta pode acelerar o desenvolvimento de vacinas

Segundo os autores, essa vulnerabilidade compartilhada representa um alvo promissor para futuras vacinas. Em vez de produzir imunizantes específicos para cada bactéria ou para diferentes cepas, uma única vacina poderia estimular a produção de anticorpos capazes de bloquear esse mecanismo comum de invasão.

Os pesquisadores afirmam que isso pode superar uma das maiores dificuldades enfrentadas há décadas no desenvolvimento de vacinas contra esses patógenos: a grande diversidade entre as cepas de E.coli e Shigella.

Resultados anteriores obtidos com crianças em Bangladesh já haviam mostrado que aquelas que desenvolveram naturalmente anticorpos contra a enzima EatA apresentavam menor risco de adoecer.

Além disso, os pesquisadores destacam que uma vacina desse tipo poderia reduzir a dependência de antibióticos no tratamento dessas infecções, contribuindo também para combater o avanço da resistência bacteriana.

Diante disso, os cientistas destacam que os próximos estudos buscarão transformar essa descoberta em um imunizante capaz de prevenir diferentes formas de diarreia causadas por bactérias.

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