Frutas: jabuticaba, açaí e guaraná estão entre as espécies investigadas por pesquisadores da USP (Freepik)
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Publicado em 7 de julho de 2026 às 09h02.
As frutas nativas brasileiras podem oferecer benefícios que vão além da alimentação. Uma revisão científica identificou evidências de que compostos presentes em frutos como jabuticaba, açaí, guaraná, cambuci e marolo podem ajudar a combater processos relacionados ao envelhecimento celular e reduzir fatores associados ao desenvolvimento de doenças cardiovasculares, metabólicas e neurodegenerativas.
O estudo foi conduzido por pesquisadores da Faculdade de Saúde Pública da Universidade de São Paulo (USP), em parceria com a Universidad Autónoma do Chile, e publicado na revista científica Antioxidants.
Segundo os pesquisadores, esses frutos concentram substâncias bioativas como flavonoides, antocianinas, carotenoides e ácidos fenólicos, compostos conhecidos por sua ação antioxidante e anti-inflamatória.
Essas moléculas ajudam a neutralizar radicais livres — substâncias produzidas naturalmente pelo organismo que, em excesso, favorecem danos celulares — e contribuem para reduzir processos inflamatórios crônicos relacionados ao envelhecimento e a diversas doenças.
De acordo com a nutricionista Maria Carolina Zsigovics Alfino, autora da revisão, controlar o estresse oxidativo e a inflamação pode preservar o funcionamento das células e diminuir mecanismos envolvidos no surgimento de doenças crônicas.
Entre todas as espécies avaliadas, a jabuticaba foi a fruta com maior quantidade de estudos científicos. As pesquisas analisadas apontam que compostos presentes principalmente na casca, mas também na polpa e em outras partes da planta, apresentaram elevada atividade antioxidante e reduziram marcadores inflamatórios associados à obesidade, resistência à insulina, inflamações intestinais e alterações cardiovasculares.
Os autores atribuem esses efeitos principalmente às antocianinas, aos flavonoides e ao ácido elágico, substâncias capazes de proteger as células contra o estresse oxidativo e modular processos inflamatórios.
Além disso, a revisão destaca que cascas, sementes e outros subprodutos normalmente descartados também demonstraram potencial biológico, indicando possibilidades de aproveitamento sustentável dessas frutas.
O açaí e o guaraná também se destacaram entre as frutas mais investigadas.
No caso do guaraná, os estudos sugerem que compostos como cafeína e catequinas podem exercer efeito neuroprotetor ao reduzir processos inflamatórios e danos oxidativos relacionados à degeneração das células nervosas.
Já o açaí chamou atenção não apenas pela polpa, mas também pelas sementes, que concentram procianidinas, compostos com propriedades antioxidantes e anti-inflamatórias. Os estudos experimentais indicam potencial para reduzir processos ligados a doenças metabólicas, cardiovasculares e renais.
A revisão encontrou indícios de que os compostos bioativos presentes nas frutas nativas brasileiras também podem beneficiar a saúde cerebral. Segundo os pesquisadores, substâncias encontradas principalmente no guaraná ajudam a reduzir a neuroinflamação, processo associado a doenças neurodegenerativas, como Alzheimer e Parkinson.
Os autores também apontam possíveis efeitos sobre a microbiota intestinal. Os compostos bioativos parecem favorecer o crescimento de bactérias benéficas e reduzir inflamações sistêmicas, fortalecendo a chamada conexão intestino-cérebro.
Segundo a professora Elizabeth Aparecida Ferraz da Silva Torres, orientadora da pesquisa, a principal limitação da revisão é que a maioria dos estudos disponíveis foi realizada em culturas de células ou modelos animais, enquanto os ensaios clínicos permanecem escassos.