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Ataque à Venezuela e Maduro ultrapassam 'linha inaceitável', diz Lula

Na madrugada desse sábado, os Estados Unidos capturaram o presidente Maduro e a esposa, Cilia Flores

Presidente Lula: "A ação ameaça a preservação da região como zona de paz" (ANDREAS SOLARO/AFP)

Presidente Lula: "A ação ameaça a preservação da região como zona de paz" (ANDREAS SOLARO/AFP)

Laura Pancini
Laura Pancini

Repórter

Publicado em 3 de janeiro de 2026 às 10h20.

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O presidente do Brasil, Luiz Inácio Lula da Silva, condenou os bombardeios dos Estados Unidos em território da Venezuela e a captura de Nicolás Maduro, afirmando que a ação “ultrapassa uma linha inaceitável” e representa “uma afronta gravíssima à soberania da Venezuela”.

Em publicação na rede X, Lula alertou que a ofensiva cria “mais um precedente extremamente perigoso para toda a comunidade internacional” e comparou o episódio aos momentos mais tensos de interferência estrangeira na política da América Latina e do Caribe.

O presidente brasileiro enquadrou os ataques como uma violação direta do direito internacional e alertou para o risco de um “mundo de violência, caos e instabilidade, onde a lei do mais forte prevalece sobre o multilateralismo”.

Para especialistas em relações internacionais, o ataque marca um ponto de inflexão na região por ser a primeira vez que os EUA bombardeiam um país da América do Sul, o que ajuda a explicar a dureza do tom usado por Lula.

O professor Oliver Stuenkel, da FGV e pesquisador da Carnegie Endowment e de Harvard, afirma que, para países como Brasil e Chile, a Venezuela é “muito mais próxima, maior e difícil de ignorar” do que o Panamá – um país pequeno na América Central, vítima do último ataque dos Estados Unidos a um país da América Latina, em 1989.

Segundo Lula, a condenação ao uso da força é “consistente com a posição que o Brasil sempre tem adotado em situações recentes em outros países e regiões”, numa referência à linha diplomática que o governo brasileiro vem defendendo em crises externas, de Gaza à Ucrânia.

O presidente cobrou uma reação firme dos organismos internacionais: “A comunidade internacional, por meio da Organização das Nações Unidas, precisa responder de forma vigorosa a esse episódio”, escreveu.

Leia o texto na íntegra:

"Os bombardeios em território venezuelano e a captura do seu presidente ultrapassam uma linha inaceitável. Esses atos representam uma afronta gravíssima à soberania da Venezuela e mais um precedente extremamente perigoso para toda a comunidade internacional.

Atacar países, em flagrante violação do direito internacional, é o primeiro passo para um mundo de violência, caos e instabilidade, onde a lei do mais forte prevalece sobre o multilateralismo.

A condenação ao uso da força é consistente com a posição que o Brasil sempre tem adotado em situações recentes em outros países e regiões.

A ação lembra os piores momentos da interferência na política da América Latina e do Caribe e ameaça a preservação da região como zona de paz.

A comunidade internacional, por meio da Organização das Nações Unidas, precisa responder de forma vigorosa a esse episódio. O Brasil condena essas ações e segue à disposição para promover a via do diálogo e da cooperação."

Trump captura Maduro

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou neste sábado que o país realizou um “ataque em larga escala” contra a Venezuela e capturou o líder venezuelano Nicolás Maduro e sua mulher, Cilia Flores, que teriam sido levados para fora do país

Em postagem na rede Truth Social, Trump escreveu: “Os Estados Unidos da América realizaram com sucesso um ataque em grande escala contra a Venezuela e seu líder, o presidente Nicolás Maduro, que foi, com sua esposa, capturado e levado para fora do país”.

A vice-presidente da Venezuela, Delcy Rodríguez, afirmou em mensagem de áudio transmitida pela TV estatal que o governo “não sabe o paradeiro do presidente Nicolás Maduro nem da primeira combatente Cilia Flores” e exigiu “provas imediatas de vida” de ambos.

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