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Governo dos EUA anuncia novas sanções a autoridades do Irã por repressão a protestos

Medida inclui o ministro do Interior do Irã, Eskandar Momeni, responsável por ações das forças de segurança que resultaram em mortes e detenções de manifestantes

Mateus Omena
Mateus Omena

Repórter

Publicado em 30 de janeiro de 2026 às 14h53.

Última atualização em 30 de janeiro de 2026 às 14h56.

Os Estados Unidos anunciaram nesta sexta-feira, 30 de janeiro, a imposição de novas sanções contra integrantes do alto escalão iraniano e redes financeiras associadas a Teerã, acusando-os de envolvimento na repressão a protestos populares. A medida foi formalizada pelo Escritório de Controle de Ativos Estrangeiros (Office of Foreign Assets Control, ou OFAC), órgão vinculado ao Departamento do Tesouro norte-americano.

A lista inclui o ministro do Interior do Irã, Eskandar Momeni, acusado de supervisionar ações das forças de segurança responsáveis por “mortes e detenções de milhares de manifestantes pacíficos”, segundo comunicado do Tesouro americano.

Também foram alvo das sanções altos comandantes do Corpo da Guarda Revolucionária Islâmica, braço militar e ideológico do regime iraniano, apontados por Washington por liderar ações de violência, detenções arbitrárias e desaparecimentos forçados em províncias como Teerã, Hamadã, Gilan e Kermanshah.

Além de figuras políticas e militares, o OFAC incluiu o empresário Babak Morteza Zanjani, acusado de atuar como operador financeiro do regime após deixar a prisão. De acordo com os EUA, ele teria desviado bilhões de dólares oriundos da venda de petróleo, canalizando recursos para projetos estratégicos vinculados ao IRGC, sigla em inglês para o Corpo da Guarda Revolucionária.

Pela primeira vez, os EUA ampliaram as sanções para incluir duas plataformas de criptomoedas registradas no Reino Unido — Zedcex e Zedxion. Ambas são acusadas de processar grandes volumes de fundos associados ao IRGC, contrariando as restrições financeiras impostas por Washington ao sistema bancário iraniano.

Possibilidade de confronto

O anúncio das sanções ocorre em meio ao agravamento das tensões entre os dois países. Em declaração recente, o vice-ministro das Relações Exteriores do Irã, Kazem Ghariabadi, afirmou que considera mais provável um confronto militar com os Estados Unidos do que uma retomada das negociações diplomáticas.

O porta-aviões USS Abraham Lincoln, parte de um grupo de combate da Marinha dos EUA, foi deslocado para o Oriente Médio. Segundo o Comando Central americano (Centcom), a movimentação responde à diretriz do presidente Donald Trump, que determinou o envio de uma “frota enorme” para a região diante da repressão aos protestos no Irã.

As manifestações que ocorreram nos dias 8 e 9 de janeiro foram sufocadas pelas forças iranianas. O governo local atribui a autoria dos protestos a ações coordenadas por EUA e Israel, classificando os manifestantes como “terroristas”. Estimativas do governo iraniano contabilizam 3.117 mortes, enquanto organizações independentes, como a HRANA, apontam para mais de 6 mil vítimas.

(Com informações da agência EFE)

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