Ciência

Nasa flagra tsunami gigante do espaço e faz descoberta inesperada

Gerado por um terremoto de magnitude 8,8, o tsunami revelou ondas mais complexas do que os modelos científicos previam

Tsunami: satélite da Nasa capturou o fenômeno enquanto cruzava o Pacífico (Freepik)

Tsunami: satélite da Nasa capturou o fenômeno enquanto cruzava o Pacífico (Freepik)

Publicado em 30 de junho de 2026 às 15h55.

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Um satélite da Nasa registrou pela primeira vez, em alta resolução, um grande tsunami enquanto se propagava pelo Oceano Pacífico. As imagens revelaram que as ondas se comportaram de forma muito mais complexa do que os modelos tradicionais indicavam, além de ajudar os cientistas a reconstruir com mais precisão o terremoto que deu origem ao fenômeno.

Os detalhes da descoberta foram publicada na revista científica The Seismic Record por pesquisadores da Sociedade Sismológica da América. Os resultados mostram como observações feitas do espaço podem aprimorar a compreensão sobre tsunamis e contribuir para futuros sistemas de alerta.

Satélite SWOT registrou um tsunami em alta resolução

O tsunami foi provocado por um terremoto de magnitude 8,8 ocorrido em 29 de julho de 2025 na zona de subducção de Kuril-Kamchatka, no extremo leste da Rússia. O tremor foi um dos maiores registrados desde o início do século XX e gerou ondas que atravessaram praticamente todo o Oceano Pacífico.

Durante o evento, o satélite Surface Water and Ocean Topography (SWOT), missão conjunta da Nasa e da agência espacial francesa CNES, sobrevoou a região e registrou o deslocamento da superfície do mar em uma faixa de aproximadamente 120 quilômetros de largura.

Segundo os pesquisadores, foi a primeira vez que um satélite conseguiu acompanhar um tsunami de grande porte com esse nível de detalhe.

Como funciona o satélite SWOT

Lançado em dezembro de 2022, o SWOT foi desenvolvido para medir com alta precisão a superfície das águas da Terra, incluindo rios, lagos, reservatórios e oceanos.

Seu principal objetivo é monitorar mudanças no nível da água, correntes oceânicas e outros processos hidrológicos importantes para pesquisas sobre clima e recursos hídricos.

Embora não tenha sido projetado especificamente para observar tsunamis, o satélite acabou registrando um dos eventos naturais mais importantes já monitorados pela missão, demonstrando o potencial dessa tecnologia para estudos de grandes desastres naturais.

Ondas se comportaram de forma diferente do esperado

Até então, os grandes tsunamis eram tratados pelos modelos como ondas relativamente simples, capazes de manter praticamente o mesmo formato ao longo de milhares de quilômetros. Mas, as observações do SWOT mostraram um cenário diferente.

Os cientistas identificaram que as ondas sofreram um processo conhecido como dispersão, no qual diferentes partes da onda passam a viajar em velocidades ligeiramente diferentes. Como consequência, a onda principal se espalha, é acompanhada por ondas secundárias e essas estruturas passam a interagir entre si durante a propagação pelo oceano.

Ao comparar os dados obtidos pelo satélite com simulações computacionais, os pesquisadores verificaram que os modelos que consideravam esse comportamento reproduziam o tsunami com muito mais precisão do que os modelos convencionais.

Segundo os autores, isso indica que parte da energia transportada pelo tsunami pode não estar sendo totalmente considerada nas previsões atuais, o que pode influenciar a intensidade das ondas quando elas atingem o litoral.

Dados do tsunami revelaram detalhes do terremoto

Além de estudar o comportamento das ondas, os pesquisadores utilizaram as medições do SWOT em conjunto com dados das boias oceânicas DART, que monitoram alterações no nível do mar. A combinação dessas informações permitiu reconstruir a ruptura provocada pelo terremoto.

Os resultados indicaram que a falha geológica rompeu uma extensão de aproximadamente 400 quilômetros, cerca de 100 quilômetros maior do que estimavam os modelos baseados apenas em registros sísmicos.

Segundo os pesquisadores, isso demonstra que os dados de tsunamis podem complementar as informações obtidas por sismógrafos e melhorar a compreensão de grandes terremotos, especialmente nas zonas de subducção, onde ocorrem alguns dos eventos sísmicos mais destrutivos do planeta.

Descoberta pode aprimorar sistemas de alerta

O estudo reforça a importância de combinar diferentes fontes de informação para compreender eventos extremos. Após o tsunami de 2011 no Japão, cientistas passaram a integrar cada vez mais dados sísmicos e oceânicos na reconstrução de grandes terremotos.

As novas observações feitas pelo SWOT ampliam essa abordagem ao fornecer imagens detalhadas do tsunami enquanto ainda está em movimento.

Segundo os pesquisadores, observações por satélite poderão futuramente ser incorporadas aos sistemas internacionais de alerta quase em tempo real, complementando as informações obtidas por sismógrafos e boias oceânicas.

Isso poderá aumentar a precisão das previsões sobre a propagação das ondas e oferecer mais tempo para que comunidades costeiras se preparem para grandes tsunamis.

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