Ciência

Câncer de próstata ganha dois novos tratamentos aprovados pelo CFM

Técnicas utilizam calor ou frio extremos para destruir tumores localizados sem remover toda a próstata

Câncer de próstata: novas terapias tratam apenas a área afetada e preservam tecidos saudáveis (Imagem gerada por IA/EXAME/Exame)

Câncer de próstata: novas terapias tratam apenas a área afetada e preservam tecidos saudáveis (Imagem gerada por IA/EXAME/Exame)

Publicado em 17 de julho de 2026 às 12h04.

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O Conselho Federal de Medicina (CFM) passou a autorizar duas novas opções de tratamento para pacientes com câncer de próstata localizado. As técnicas, conhecidas como HIFU e crioablação, tratam apenas a região da próstata onde está o tumor, preservando o restante da glândula e reduzindo os impactos sobre as funções urinária e sexual.

De acordo com a Universidade de São Paulo (USP), para o urologista Maurício Cordeiro, do Instituto do Câncer do Estado de São Paulo (Icesp), os novos procedimentos são indicados apenas para pacientes com tumores restritos a uma única área da próstata.

Como funcionam os novos tratamentos para câncer de próstata

As duas técnicas são classificadas como terapias focais, pois atuam exclusivamente sobre o tecido afetado pelo câncer.

No HIFU (Ultrassom Focado de Alta Intensidade), feixes de ultrassom elevam a temperatura do tumor para cerca de 90 °C, destruindo as células cancerígenas sem comprometer significativamente os tecidos vizinhos.

Já a crioablação utiliza o processo inverso. Agulhas são inseridas na próstata para congelar a região onde está o tumor. As temperaturas extremamente baixas provocam a destruição das células cancerígenas.

Segundo Cordeiro, apesar do tratamento localizado, os pacientes precisam continuar sendo acompanhados com exames de PSA, ressonância magnética e, quando necessário, novas biópsias para verificar a presença de novos focos da doença.

Quem pode fazer as novas terapias?

Os procedimentos não são indicados para todos os pacientes com câncer de próstata. Segundo o médico, eles são recomendados para homens com tumores localizados, restritos a uma única região da próstata e sem sinais de disseminação da doença.

Nesses casos, preservar parte da glândula pode reduzir complicações frequentemente associadas aos tratamentos convencionais.

Tratamentos podem reduzir efeitos colaterais

Ainda de acordo com o urologista, uma das principais vantagens das terapias focais é diminuir o risco de sequelas relacionadas ao tratamento.

Entre os efeitos colaterais mais comuns da cirurgia tradicional e da radioterapia estão a disfunção erétil, a incontinência urinária e, no caso da radioterapia, a retite actínica, inflamação que pode atingir o reto.

Como HIFU e crioablação tratam apenas a área comprometida pelo tumor, a expectativa é preservar melhor as estruturas saudáveis da próstata.

Diagnóstico precoce continua sendo fundamental

Segundo estimativas do Instituto Nacional de Câncer (Inca), o câncer de próstata é o tipo mais frequente entre os homens no Brasil. A previsão é de 77.920 novos casos por ano no triênio 2026-2028.

O urologista recomenda que homens iniciem o rastreamento da doença aos 50 anos, com exames anuais de PSA e toque retal. Para aqueles com histórico familiar de câncer de próstata, a orientação é começar o acompanhamento aos 45 anos.

Como a doença costuma não apresentar sintomas nas fases iniciais, o diagnóstico precoce aumenta significativamente as chances de tratamento e cura. Além dos exames periódicos, o especialista destaca que manter uma alimentação equilibrada, praticar atividade física regularmente e adotar hábitos saudáveis contribuem para a saúde masculina.

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