Astronautas voltam a passar pela face invisível da Lua e enfrentam perda de comunicação durante o trajeto
Redatora
Publicado em 21 de abril de 2026 às 21h51.
Durante a missão Artemis II, astronautas voltam a cruzar o lado oculto da Lua, região que não pode ser vista da Terra. Nesse trecho da trajetória, a cápsula Orion também enfrenta um período de cerca de 40 minutos sem comunicação, já que o próprio satélite bloqueia os sinais enviados do planeta.
Para entender por que essa área permanece invisível, é necessário olhar para o movimentoda própria Lua.
A Lua realiza dois movimentos simultâneos: gira em torno de si mesma e orbita a Terra. Esses ciclos duram praticamente o mesmo período, cerca de 27,3 dias.
Como resultado, apenas uma face permanece voltada para o planeta, enquanto a outra fica fora do campo de visão direto. De acordo com especialistas destacados pelo g1, esse comportamento não é coincidência, mas consequência de um processo físico de longa duração.
Ao longo de milhões de anos, a gravidade da Terra exerceu uma força contínua que desacelerou a rotação da Lua. Esse efeito funcionou como um “freio”, ajustando gradualmente o movimento do satélite.
Com o tempo, o sistema atingiu um estado de equilíbrio: o corpo celeste passou a girar no mesmo ritmo em que completa sua órbita, criando uma configuração estável que permanece até hoje.
Apesar de frequentemente confundidos, os termos têm significados distintos. A ideia de “lado escuro” se popularizou na cultura — inclusive no álbum "The Dark Side of the Moon", da Pink Floyd —, mas não descreve corretamente o fenômeno.
Na prática, a diferença é simples:
Assim, a face invisível também recebe luz solar normalmente, dependendo da posição do satélite em relação ao Sol.
As diferenças entre as duas faces vão além da visibilidade. Observações feitas por missões espaciais mostram que essa região apresenta características próprias.
Entre os principais aspectos identificados estão:
Essas variações estão relacionadas às condições de formação da Lua no início do Sistema Solar.
É justamente por essa região que a missão Artemis II deve passar. Durante esse momento, a cápsula Orion enfrenta um "apagão" temporário nas comunicações, já que a Lua impede a propagação dos sinais de rádio enviados da Terra.
Ao mesmo tempo, a travessia oferece uma oportunidade rara: a observação direta de uma área que permanece fora do alcance visual do planeta.
A última vez que humanos tiveram essa perspectiva foi na missão Apollo 17, há mais de meio século.