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As dimensões da segurança hídrica diante das mudanças climáticas

Problemática revela necessidade de decisões estratégicas urgentes

Segurança hídrica: mudanças climáticas pressionam ecossistemas, abastecimento, barragens e geração de energia.

Segurança hídrica: mudanças climáticas pressionam ecossistemas, abastecimento, barragens e geração de energia.

Publicado em 24 de junho de 2026 às 14h00.

A segurança hídrica é definida como a garantia de acesso à água em qualidade e quantidade para todos. Ela abrange quatro dimensões, as quais se encontram atualmente sob crescente ameaça diante das mudanças climáticas, que vêm alterando o regime pluviométrico e afetando simultaneamente a oferta e a demanda hídrica.

A dimensão ecossistêmica, associada à preservação da biodiversidade, sofre crescente pressão. O sexto relatório do IPCC alerta que todos os hotsposts são impactados pelas alterações do clima, incluindo perda de habitats, mortalidade abrupta e risco crescente de extinção de espécies.

A dimensão da resiliência, por sua vez, está relacionada à capacidade de adaptação frente a eventos extremos cada vez mais frequentes. O CEMADEN (2026) aponta um aumento dessas ocorrências superior a 200% entre 2020 e 2023 em relação à década de 1990. Só em 2025, as chuvas concentraram 86% das mortes registradas em desastres no país. No contexto de segurança de barragens, isso acende um alerta para o potencial subdimensionamento de estruturas, já que os métodos tradicionais de dimensionamento se baseiam nas séries históricas para assumir o comportamento hidrológico futuro – o que já não pode mais ser garantido. Recomendações técnicas já incorporam essa preocupação, indicando uma majoração de até 20% para as vazões de projeto.

A principal preocupação na dimensão humana, associada ao abastecimento e acesso à água potável, recai sobre as vazões mínimas e a incerteza do atendimento aos usos múltiplos da água. Um exemplo foi a severa estiagem que atingiu o Sistema Cantareira (SP), que encerrou 2025 com apenas 20% do seu volume útil — o pior nível desde a crise hídrica de 2014. A situação impactou mais de 8 milhões de pessoas, incluindo interrupção no fornecimento de água e alteração na pressão das redes.

Por fim, a dimensão econômica trata da disponibilidade de água para as atividades humanas. No setor energético, a variabilidade dos recursos naturais impacta toda a cadeia, incluindo perda de eficiência nos sistemas de geração e transmissão, danos às infraestruturas, aumento na demanda e interrupções prolongadas no fornecimento. A persistência de condições desfavoráveis pode forçar o acionamento das térmicas que, além de mais onerosas, resultam em maiores impactos ambientais.

Refletir sobre as vulnerabilidades de cada dimensão da segurança hídrica reforça a necessidade de reconhecermos o papel de cada uma na construção desse conceito — alcançar plenamente essa conscientização exige a discussão dos desafios e antecipação de riscos. Garantir a segurança hídrica, nesse contexto, não é apenas uma agenda de gestão, trata-se de uma decisão estratégica sobre o futuro da humanidade.

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