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Japão recorda tragédia seis anos após devastador tsunami de 2011

Milhares de pessoas colocarão flores durante todo o dia nos mais 500 km de costas das zonas afetadas do nordeste do arquipélago

Tsunami: a tragédia deixou 18.446 mortos e 123.000 deslocados (Jiji Press/AFP/Reprodução)

Tsunami: a tragédia deixou 18.446 mortos e 123.000 deslocados (Jiji Press/AFP/Reprodução)

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AFP

Publicado em 11 de março de 2017 às 15h48.

O Japão recorda neste sábado o tsunami que em 2011 atingiu seu litoral e provocou o acidente nuclear de Fukushima, no sexto aniversário da tragédia, que deixou 18.446 mortos e 123.000 deslocados.

Como nos anos anteriores, milhares de pessoas colocarão flores durante todo o dia nos mais 500 km de costas das zonas afetadas do nordeste do arquipélago.

Em Natori, uma das cidades mais afetadas na província de Miyagi, uma centena de pessoas, principalmente parentes e amigos de crianças da escola local que morreram na tragédia, soltaram balões em forma de pombas que carregavam mensagens. "Viverão eternamente nas nossas memórias", dizia um deles.

O canal de televisão pública NHK mostrava já pela manhã imagens de habitantes lançando flores ao oceano para homenagear as vítimas da tragédia.

"O mar está tão tranquilo hoje", disse uma idosa na praça da cidade litorânea de Soma. "Por que ficou tão tempestuoso e enviou ondas tão grandes naquele dia?".

Multidões se reuniram também em Sendai, Ishinomaki, Rikuzentakata, Minamisanriku e em todos os lugares que ficaram marcados para sempre pela catástrofe tripla: o terremoto e o tsunami, que deixaram 18.446 mortos e desaparecidos, e o acidente na central nuclear de Fukushima, que provocou um alerta de evacuação.

Atualmente, restam 123.000 deslocados que não podem voltar às suas casas devido à radiação.

Às 14H46, o país fez um minuto de silêncio para recordar o momento do dia 11 de março de 2011 em que um terremoto de 9,0 graus de magnitude nas costas da ilha principal de Honshu criou uma onda gigantesca que, segundo os japoneses, só ocorre uma vez por milênio.

Críticas ao governo

Em Tóquio, o primeiro-ministro, Shinzo Abe, presidiu a cerimônia oficial, e a casa imperial foi representada pelo príncipe Akishino.

Ao som da orquestra que tocava música clássica melancólica, os quase 900 presentes foram convidados ao final da cerimônia a depositar uma flor branca diante da estela onde foi gravado: "Às almas das vítimas da grande catástrofe do leste do Japão".

O primeiro-ministro prometeu "cuidar tanto dos espíritos como dos corpos" das pessoas afetadas e "desenvolver as regiões atingidas [pela catástrofe] em respeito às suas necessidades".

Mas muitos deslocados de Fukushima acusam o governo de querer acelerar o regresso dos habitantes às regiões contaminadas para normalizar a situação antes dos Jogos Olímpicos de Tóquio de 2020.

"Fugimos só para proteger nossos filhos e netos da radiação", disse Miyako Kumamoto, do Comitê de organizações de vítimas da catástrofe nuclear, em uma conferência de imprensa antes das homenagens, criticando as autoridades pela falta de medidas de apoio aos evacuados.

"Não posso aceitar isso e não consigo entender porque estamos nesta difícil situação", acrescentou, pedindo a continuidade das ajudas financeiras e o reconhecimento do estatuto de vítima para os afetados.

Apesar da solidariedade que tomou o Japão após o desastre, seis anos depois se observam vários casos de estigmatização dos deslocados de Fukushima, particularmente das crianças em idade escolar.

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