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Terra já ultrapassou limite sustentável para humanidade, diz estudo

Pesquisa analisou mais de 200 anos de dados e concluiu que o atual modelo de consumo excede os limites ecológicos do planeta

Terra: pesquisa aponta que população já esgotou limites do planeta. (James Cawley/Getty Images)

Terra: pesquisa aponta que população já esgotou limites do planeta. (James Cawley/Getty Images)

Publicado em 30 de maio de 2026 às 05h01.

Última atualização em 4 de junho de 2026 às 13h41.

Um novo estudo publicado na revista científica Environmental Research Letters concluiu que a humanidade já ultrapassou a capacidade sustentável do planeta.

A pesquisa, conduzida por cientistas da Universidade Flinders, na Austrália, analisou mais de 200 anos de dados populacionais e ambientais e chegou a uma conclusão direta: a Terra não consegue sustentar nem a demanda atual, que hoje corresponde a uma população de 8,3 bilhões de pessoas.

Segundo os pesquisadores, a população verdadeiramente sustentável pelo planeta seria de cerca de 2,5 bilhões de pessoas — considerando padrões de vida economicamente confortáveis e dentro dos limites ecológicos. O número é menos de um terço da população atual.

"A Terra não consegue acompanhar a forma como estamos usando seus recursos. Ela não consegue sustentar nem a demanda de hoje sem grandes mudanças", disse Corey Bradshaw, professor de Ecologia Global da Universidade Flinders e autor principal do estudo.

A pesquisa identificou uma virada no comportamento populacional que começou na década de 1960. Antes disso, o crescimento populacional acelerava o desenvolvimento, gerava inovação e impulsionava avanços tecnológicos.

A partir do início daquela década, essa relação se inverteu: a população continuou crescendo, mas a taxa de crescimento começou a cair — o que os pesquisadores chamam de "fase demográfica negativa".

Com base nos modelos analisados, o estudo projeta que a população global deve atingir um pico entre 11,7 e 12,4 bilhões de pessoas entre o fim dos anos 2060 e 2070, caso as tendências atuais se mantenham.

Os pesquisadores apontam que esse nível de crescimento só foi possível graças à dependência de combustíveis fósseis e ao consumo de recursos naturais em ritmo superior à capacidade de regeneração do planeta.

Segundo o estudo, esse modelo disfarçou temporariamente os efeitos do que os cientistas chamam de "ultrapassagem ecológica", ao mesmo tempo em que agravou mudanças climáticas, poluição e degradação ambiental.

Entre os riscos associados a ultrapassar essa capacidade estão o agravamento dos impactos climáticos, a perda de biodiversidade, a queda na segurança alimentar e hídrica e o aumento da desigualdade.

O estudo não prevê um colapso repentino da civilização. Os pesquisadores descrevem a situação como uma avaliação realista das pressões crescentes que vão moldando o futuro da humanidade. Para Bradshaw, ainda há margem para mudança.

"A janela para agir está se fechando, mas uma mudança significativa ainda é possível se as nações trabalharem juntas", disse.

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