Ciência

Estudo identifica molécula que ajuda cérebro a combater o Alzheimer

Descoberta pode abrir caminho para novas terapias ao restaurar células de defesa do sistema nervoso

Alzheimer: pesquisadores observaram melhora da memória após restaurar funções protetoras da micróglia em modelos experimentais (Getty Images)

Alzheimer: pesquisadores observaram melhora da memória após restaurar funções protetoras da micróglia em modelos experimentais (Getty Images)

Publicado em 20 de junho de 2026 às 08h58.

Pesquisadores identificaram uma molécula experimental capaz de restaurar parte das defesas naturais do cérebro contra a doença de Alzheimer. Em testes realizados com modelos animais e culturas celulares, o composto reduziu o acúmulo de placas beta-amiloides e melhorou o desempenho em testes de memória.

O estudo foi conduzido por cientistas da Universidade Miguel Hernández de Elche, na Espanha, em colaboração com pesquisadores da Escola Politécnica Federal de Lausanne (EPFL), na Suíça, e foi publicado na revista Cell Death and Disease.

Como a molécula atua no cérebro

A pesquisa se concentrou na micróglia, conjunto de células imunológicas responsáveis por monitorar e proteger o sistema nervoso central.

Em condições normais, essas células ajudam a remover resíduos e proteínas potencialmente nocivas do cérebro. No entanto, na doença de Alzheimer, a micróglia perde progressivamente sua capacidade protetora e pode até contribuir para o agravamento dos danos cerebrais.

Os cientistas descobriram que uma molécula chamada OLE, derivada do gene PM20D1, consegue reprogramar essas células para um estado mais funcional.

Após o tratamento, a micróglia passou a se deslocar em direção às placas beta-amiloides — um dos principais marcadores da doença — formando uma espécie de barreira ao redor desses depósitos. Segundo os pesquisadores, esse mecanismo reduz o contato das placas com os neurônios e limita seus efeitos tóxicos.

Acúmulo de placas diminuiu após tratamento

A doença de Alzheimer é caracterizada pelo acúmulo progressivo de proteínas beta-amiloides no cérebro. Essas estruturas formam placas que estão associadas à degeneração neuronal e ao comprometimento cognitivo.

Nos experimentos, os pesquisadores observaram que o tratamento com OLE reduziu o tamanho e a quantidade dessas placas. Além disso, análises detalhadas mostraram que a micróglia tratada ativou mecanismos biológicos relacionados à eliminação da proteína beta-amiloide, recuperando parte de sua capacidade de proteção.

Segundo os autores, essa foi uma das descobertas mais relevantes do estudo, pois sugere que a perda de função dessas células pode não ser irreversível.

Testes mostraram melhora da memória

A equipe utilizou diferentes modelos experimentais para avaliar o potencial da molécula. Inicialmente, o composto foi testado em vermes geneticamente modificados (Caenorhabditis elegans) capazes de produzir beta-amiloide. O tratamento reduziu o acúmulo de agregados proteicos e melhorou a mobilidade dos animais.

Posteriormente, os pesquisadores realizaram testes em camundongos com características semelhantes às observadas na doença de Alzheimer humana. Após três meses de tratamento, os animais apresentaram desempenho superior em testes de memória e exibiram menor carga de placas beta-amiloides em comparação com os grupos que não receberam a molécula.

Análise celular revelou resposta da micróglia

Para entender melhor como o tratamento funcionava, os cientistas analisaram milhares de células cerebrais individualmente. Os resultados mostraram que a micróglia foi o tipo celular que respondeu de forma mais intensa ao OLE.

Segundo os pesquisadores, as células recuperaram a capacidade de migrar até as placas amiloides, contê-las e auxiliar na remoção desses depósitos.

Experimentos adicionais realizados em culturas celulares também indicaram que a molécula pode aumentar a sobrevivência de neurônios expostos a condições semelhantes às encontradas no Alzheimer.

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