Ciência

Odisseu da vida real: imagens revelam último barco de lenda da exploração

Submersível responsável por redescobrir os restos do Titanic resgatou imagens do Quest, embarcação onde Ernest Shackleton morreu

 (Reprodução/Youtube/Canadian Geographic)

(Reprodução/Youtube/Canadian Geographic)

Giulia Polizeli
Giulia Polizeli

Estagiária de jornalismo

Publicado em 13 de julho de 2026 às 16h56.

O submersível responsável por redescobrir os restos do Titanic adicionou mais uma embarcação perdida à sua lista de descobertas. Cientistas da Royal Canadian Geographic Society (RCHS) e Woods Hole Oceanographic Institution (WHOI) divulgaram as primeiras imagens do barco em que Ernest Shackleton, conhecido como o Odisseu da vida real, morreu em 1922.

Quest, como foi batizada a embarcação, está nas profundezas do mar do Labrador, no norte do Oceano Atlântico. O submersível que registrou os destroços marítimos é operado remotamente, sem tripulação e conectado a um barco na superfície por meio de um cabo.

Explorador era conhecido como Odisseu da vida real

Nascido na pequena vila Kilkea, na Irlanda, Ernest Shackleton viveu uma história digna de tela de cinema. O explorador foi líder de três expedições britânicas para a Antártica e, após um acidente no gelo, levou 27 homens de sua tripulação de volta à civilização durante um trajeto de 22 meses no inverno polar.

A travessia do Odisseu irlandês ocorreu durante a Expedição Imperial Transatlântica em 1914. Acompanhado de sua tripulação, Shackleton levou dois barcos ao Ártico com o objetivo de cumprir a primeira travessia do continente a pé. No entanto, o navio Endurance ficou preso no gelo do mar Weddell antes mesmo de chegar à baía de Vahsel, deixando o capitão e seus homens à deriva.

O grupo passou diversos meses em um acampamento improvisado aguardando o resgate da segunda tripulação, que nunca chegou. Ernest decidiu utilizar barcos salva-vidas para rumar até a ilha Elefante ao lado de 5 outros tripulantes e, a partir desse caminho, navegar por cerca de 1.300 km até a ilha Geórgia do Sul, onde garantiu uma operação de resgate para o resto de seus companheiros.

Quest e a missão final de Ernest Shackleton

Ficar ilhado no Ártico não impediu Shackleton de buscar uma última aventura. Para sua terceira exploração, o irlandês embarcou no Quest para explorar o subcontinente congelado, porém um infarto fulminante aos 47 anos encerrou sua viagem antes do previsto.

Depois da tragédia, uma família norueguesa comprou o barco para atividades de caça. A jornada da embarcação durou mais 40 anos até um segundo acidente no Mar do Labrador causar seu naufrágio em 5 de maio de 1962. Os escombros ficaram desaparecidos por mais de seis décadas.

Foi apenas em 2024 que varreduras de sonar realizadas pelo RCGS Shackleton Quest Expedition revelaram a localização da embarcação. O projeto envolveu o uso de tecnologias especializadas para explorar as profundezas das águas turvas do Ártico em busca do estado atual do Quest.

O futuro dos destroços marítimos

Segundo as imagens capturadas, a proa, o convés e diversas escotilhas ainda estão visíveis, apesar de o mastro principal estar quebrado. As décadas nas profundezas transformaram o Quest em um ecossistema marítimo com corais cor-de-rosa e diversas espécies de peixes como moradores.

Agora, pesquisadores trabalham para mapear a embarcação naufragada usando tecnologia de fotogrametria subaquática, que serve para mapear e gerar uma digitalização 3D do navio para análises mais profundas de historiadores.

Acompanhe tudo sobre:OceanosArqueologiaNaufrágios

Mais de Ciência

Calor faz besouros machos tentarem acasalar entre si? Estudo dá algumas pistas

Suplemento de ômega-3 não melhora o cérebro? Estudo explica por quê

Pela primeira vez, cientistas registram a formação de um novo fundo oceânico

Como a visão humana se forma? Descoberta muda teoria sobre a retina