Ciência

Cientistas descobrem novo 'gatilho oculto' ligado ao Alzheimer

Pesquisadores identificaram compostos que reduziram inflamações cerebrais ligadas ao Alzheimer em testes iniciais

Alzheimer: pesquisa identificou enzima ligada à inflamação cerebral (Getty Images)

Alzheimer: pesquisa identificou enzima ligada à inflamação cerebral (Getty Images)

Publicado em 27 de maio de 2026 às 06h51.

Pesquisadores da University of Southern California identificaram compostos experimentais que podem ajudar a reduzir inflamações cerebrais associadas à Doença de Alzheimer.

A descoberta foi publicada na revista científica npj Drug Discovery e pode abrir caminho para novas estratégias de tratamento da doença, especialmente em pessoas portadoras do gene APOE4, principal fator genético de risco conhecido para Alzheimer.

O estudo apontou uma possível ligação entre o Alzheimer e uma enzima chamada cPLA2, associada a processos inflamatórios no cérebro. Segundo os cientistas, níveis elevados dessa proteína apareceram relacionados a um maior risco de desenvolver a doença.

Como funciona o mecanismo identificado

Os pesquisadores explicam que a cPLA2 possui funções importantes para o funcionamento normal do cérebro, mas sua ativação excessiva pode favorecer inflamações associadas ao Alzheimer.

Por isso, o desafio da equipe era encontrar substâncias capazes de bloquear apenas a atividade considerada prejudicial da enzima, sem interromper completamente suas funções saudáveis.

Outro obstáculo envolvia a barreira hematoencefálica, estrutura natural que dificulta a chegada de medicamentos ao cérebro.

Para encontrar possíveis candidatos a medicamentos, os cientistas utilizaram sistemas computacionais para avaliar bilhões de moléculas em busca de substâncias capazes de atingir seletivamente a cPLA2.

A equipe priorizou elementos pequenos o suficiente para atravessar a barreira do cérebro e permanecer ativos em condições biológicas relevantes. Depois da triagem inicial, os candidatos mais promissores foram testados em células humanas e modelos animais.

Testes iniciais mostraram resultados promissores

Segundo o estudo, um dos inibidores conseguiu reduzir a ativação inflamatória da cPLA2 em células cerebrais humanas submetidas a condições relacionadas ao Alzheimer.

Nos experimentos com camundongos, a substância também passou com sucesso a barreira hematoencefálica e interferiu em vias neuroinflamatórias associadas à doença.

Os autores afirmam que os resultados sugerem que a inibição seletiva da enzima pode representar uma estratégia promissora para combater doenças neurodegenerativas.

O pesquisador Hussein Yassine, diretor do Center for Personalized Brain Health da USC, afirmou que o objetivo da equipe é entender se o controle da inflamação cerebral pode alterar o risco de desenvolvimento do Alzheimer.

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