Pré-diabetes: pesquisa identificou redução expressiva do risco cardíaco (Imagem gerada por IA/EXAME)
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Publicado em 20 de junho de 2026 às 09h19.
Pessoas com pré-diabetes que conseguem normalizar os níveis de açúcar no sangue podem reduzir significativamente o risco de desenvolver doenças cardiovasculares graves. Um estudo publicado na revista científica The Lancet Diabetes & Endocrinology mostrou que a reversão da condição esteve associada a uma redução de 58% no risco de morte por doença cardiovascular ou hospitalização por insuficiência cardíaca.
Os resultados também indicaram uma queda de 42% no risco de eventos cardiovasculares graves, como infarto e acidente vascular cerebral (AVC). A pesquisa foi conduzida por cientistas do King's College London a partir da análise de dois grandes estudos de longo prazo realizados nos Estados Unidos e na China.
O pré-diabetes ocorre quando os níveis de glicose no sangue estão acima do considerado normal, mas ainda não atingem os critérios para o diagnóstico de diabetes tipo 2.
A condição afeta mais de um bilhão de pessoas em todo o mundo e está associada a um risco maior de doenças cardiovasculares, além de aumentar as chances de evolução para o diabetes tipo 2.
Segundo os pesquisadores, a descoberta reforça a importância de identificar e tratar o problema precocemente.
A equipe analisou dados do Diabetes Prevention Program Outcomes Study (DPPOS), nos Estados Unidos, e do DaQing Diabetes Prevention Outcome Study, na China.
Ambos acompanharam pessoas com pré-diabetes durante décadas e avaliaram intervenções voltadas para alimentação saudável, prática de atividade física e controle metabólico.
Os pesquisadores compararam os resultados de participantes que conseguiram retornar aos níveis normais de glicose com os daqueles que permaneceram com pré-diabetes.
A análise mostrou que os benefícios cardiovasculares se mantiveram por muitos anos após a normalização da glicemia.Além disso, o grupo registrou uma redução de 42% na ocorrência de infarto, AVC e outros eventos cardiovasculares graves.
Os resultados foram observados tanto na população estudada nos Estados Unidos quanto na China, sugerindo que o benefício pode ocorrer em diferentes contextos e grupos populacionais.
Os autores destacam que análises anteriores desses mesmos estudos não encontraram redução significativa do risco cardiovascular apenas com mudanças de estilo de vida consideradas de forma isolada.
Segundo a nova pesquisa, os benefícios mais relevantes surgem quando essas mudanças resultam efetivamente na normalização dos níveis de glicose.
Isso sugere que a remissão do pré-diabetes pode ser um objetivo clínico importante por si só, da mesma forma que já ocorre com fatores como controle da pressão arterial, redução do colesterol e abandono do tabagismo.
Os pesquisadores afirmam que as descobertas podem influenciar a forma como médicos e sistemas de saúde abordam o pré-diabetes.
Em vez de focar apenas na prevenção do diabetes tipo 2, a normalização da glicemia poderá ganhar destaque como estratégia para reduzir complicações cardiovasculares e melhorar a saúde a longo prazo.
Apesar dos resultados promissores, os autores ressaltam que mais estudos serão necessários para compreender os mecanismos envolvidos e identificar as estratégias mais eficazes para alcançar a remissão da condição.