Ciência

Sangue humano pode guardar 'herança' de 700 milhões de anos, diz estudo

Pesquisa analisou a evolução de células imunológicas e encontrou semelhanças com organismos que viveram antes dos primeiros animais complexos

Sangue: pesquisa sugere que células humanas preservam traços de formas de vida ancestrais (Pixabay/Reprodução)

Sangue: pesquisa sugere que células humanas preservam traços de formas de vida ancestrais (Pixabay/Reprodução)

Publicado em 28 de maio de 2026 às 06h38.

As células do sangue humano podem carregar um legado evolutivo com cerca de 700 milhões de anos. Um estudo liderado por pesquisadores da Kyoto University sugere que parte do sistema imunológico moderno surgiu a partir de ancestrais unicelulares muito antigos, anteriores até aos primeiros animais complexos.

A pesquisa reconstruiu a “árvore genealógica” das células sanguíneas e identificou semelhanças entre estruturas imunológicas humanas e organismos unicelulares ancestrais.

O resultado foi divulgado pelo ScienceDaily nesta quarta-feira, 27 e deve ser publicado na revista científica Proceedings of the National Academy of Sciences (PNAS) na próxima sexta-feira, 29.

Como o sangue revelou origem antiga

Para investigar a origem evolutiva do sangue, os pesquisadores compararam padrões de expressão genética em diferentes espécies animais e tipos de células. A partir dessa análise, conseguiram mapear como as células sanguíneas se diversificaram ao longo da evolução.

Segundo o estudo, os macrófagos — células responsáveis por englobar micróbios e resíduos celulares — apresentaram as maiores semelhanças com organismos unicelulares antigos.

A descoberta sugere que as primeiras células sanguíneas da história evolutiva poderiam se parecer com versões primitivas dos macrófagos atuais.

Os cientistas também rastrearam o gene FOS, presente em diversos organismos animais. De acordo com o estudo, esse gene já existia em um ancestral unicelular que viveu há cerca de 700 milhões de anos, período próximo ao surgimento dos primeiros seres multicelulares.

Para a equipe, a descoberta sugere que os sistemas imunológicos iniciais podem ter reaproveitado mecanismos biológicos herdados dessas formas de vida antigas.

Estudo reconstruiu evolução das células do sangue

A pesquisa também buscou entender como diferentes tipos de células sanguíneas surgiram ao longo da evolução. Os resultados sugerem que os mastócitos podem ter evoluído a partir de macrófagos, enquanto células T e glóbulos vermelhos teriam aparecido posteriormente. Os mastócitos são células produzidas na medula óssea e que participam do sistema imunológico.

Os cientistas também identificaram sinais de que células B ancestrais se separaram diretamente dos macrófagos em estágios antigos da evolução animal. Segundo os autores, as descobertas mostram que o sistema imunológico atual ainda preserva marcas dessa longa história evolutiva.

Os pesquisadores também destacam que o método usado no estudo poderá ajudar futuras investigações sobre doenças como câncer e distúrbios do sistema imunológico.

Acompanhe tudo sobre:Pesquisas científicasCuriosidades

Mais de Ciência

Nova pílula para colesterol pode mudar o tratamento de pacientes

Como a Terra permaneceu habitável por milhões de anos? Estudo traz nova resposta

Buraco visto no Google Maps revela cratera de meteoro com 390 milhões de anos

Maior eclipse solar do século já tem data definida; veja onde observar