Genes: estudo com gêmeos indica que genética pode influenciar até 98% dos resultados de vida
Redatora
Publicado em 19 de abril de 2026 às 06h59.
Diferenças na atividade genética das células cerebrais podem ajudar a explicar por que homens e mulheres apresentam riscos distintos para algumas doenças neurológicas. Um estudo publicado na revista Science analisou mais de 1 milhão de células do cérebro humano e identificou variações nos padrões de expressão gênica entre os sexos.
A pesquisa definiu o sexo com base nos cromossomos sexuais — geralmente XX em mulheres e XY em homens — e aponta que essas diferenças, embora discretas, podem influenciar a suscetibilidade a condições como Alzheimer, esquizofrenia e transtornos de humor.
Para chegar aos resultados, os cientistas analisaram células de seis regiões do córtex cerebral, incluindo cerca de 680 mil neurônios excitatórios, 290 mil neurônios inibitórios e aproximadamente 270 mil células da glia, a partir de amostras de 30 indivíduos.
No total, foram avaliados mais de 4.300 genes. Os resultados indicaram que o sexo responde por menos de 1% da variação na expressão gênica — mostrando que as diferenças são realmente pequenas.
Ainda assim, os pesquisadores identificaram 3.382 genes com variações em pelo menos uma região do cérebro e um conjunto de 133 genes com diferenças consistentes entre os sexos em todas as áreas analisadas.
Os cientistas também destacam que há mais variação genética dentro de um mesmo sexo do que entre homens e mulheres, o que indica que essas distinções não são predominantes no funcionamento geral do cérebro.
Estudos anteriores já mostraram que algumas doenças neurológicas são mais comuns em determinados sexos.
Segundo os autores, as diferenças na expressão gênica podem influenciar como essas doenças se desenvolvem no organismo.
A maioria dos genes identificados não está localizada nos cromossomos sexuais. Em muitos casos, sua atividade pode ser regulada por hormônios como estrogênio e testosterona.
Além disso, fatores ambientais e experiências ao longo da vida também podem influenciar a expressão gênica, o que torna difícil separar completamente os efeitos biológicos dos fatores sociais ligados ao gênero.
Os pesquisadores destacam que sexo e gênero estão interligados, e essa relação tende a se intensificar ao longo da vida.
Os cientistas ressaltam que os resultados representam um “instantâneo” da atividade genética, ou seja, refletem um momento específico e não capturam mudanças ao longo do tempo.
Como o cérebro é altamente plástico, a expressão dos genes pode variar conforme fatores como saúde, ambiente e envelhecimento.