Repórter
Publicado em 16 de março de 2026 às 12h00.
Última atualização em 16 de março de 2026 às 12h23.
Depois de testar a marca no sul do Brasil e avançar para São Paulo, a Ambev escolheu o Lollapalooza 2026 como vitrine para consolidar a Flying Fish — uma cerveja saborizada criada na África do Sul que mira a geração Z.
O movimento faz parte da estratégia da gigante de bebidas para desenvolver o que chama de Beyond Beer, um portfólio de produtos que vai além da cerveja tradicional e busca atrair novos perfis de consumo.
A frente reúne marcas como Beats, Mike’s e Brutal Fruit, e tenta acompanhar mudanças no comportamento de consumo, especialmente entre os mais jovens, que tendem a buscar sabores diferentes e bebidas menos amargas.
Nos números mais recentes da controladora AB InBev, esse movimento já começa a aparecer no desempenho da operação brasileira. No terceiro trimestre de 2024, o volume de bebidas não ligadas à cerveja cresceu 3,4% no país, enquanto o volume total da operação avançou 1,3%. No acumulado do ano até setembro, essas bebidas registraram alta de 5,8%, acima do crescimento de 2,3% das cervejas.
“A Beyond Beer funciona como um motor de crescimento e uma alavanca de futuro”, diz Thais Santos, diretora de marketing da Flying Fish e da Brutal Fruit.
Flying Fish: (Ambev/Divulgação)
A Flying Fish, uma cerveja com sabor de limão e menos amargor, surge justamente nesse espaço — entre o universo da cerveja e o crescimento de bebidas mais leves e saborizadas.
A EXAME testou a bebida que estará no cardápio do Lollapalooza. A textura lembra mais a linha Beats do que uma cerveja tradicional, mas com uma sensação mais leve no paladar. A proposta de ser refrescante e fácil de beber ajuda a explicar por que a marca apostou o grande lançamento em um festival de música.
O sabor condiz com a estratégia: a Flying Fish não foi pensada para substituir outras cervejas do portfólio, mas para trazer novos consumidores para a categoria.
Em mercados onde já está consolidada, como a África do Sul, a Flying Fish teve justamente esse papel — recrutar pessoas que antes não tinham uma cerveja favorita. Hoje, a Flying Fish é a quarta marca de cerveja mais consumida na África do Sul.
Antes de chegar ao Lollapalooza, a marca passou por uma sequência de testes de mercado, primeiro no Sul do país e depois em pontos específicos de São Paulo, na segunda metade de 2025. A ideia aqui era validar o produto e testar canais de venda antes de apostar em um evento de grande visibilidade.
“Quando você está construindo uma marca nova, precisa escolher bem as plataformas onde ela vai aparecer”, diz Santos. Segundo a executiva, o festival tem forte conexão com a geração Z, público que a empresa quer atingir com o produto.
O teste inicial começou em setembro de 2025 nos três estados do sul do país. Em cerca de três meses, o produto chegou a aproximadamente 13 mil pontos de venda e registrou um índice de 30% de recompra em uma base analisada de varejo — número considerado alto para um lançamento recente.
Além disso, dados de CRM de varejistas parceiros indicaram 18% de incrementalidade, sinal de que parte dos consumidores que compraram a bebida não estavam consumindo outras marcas do portfólio. Em outras palavras, o produto trouxe novos clientes para a categoria.
Flying Fish: festival acontece entre os dias 20, 21 e 22 de março (Ambev/Divulgação)
Com os primeiros sinais positivos, a empresa decidiu avançar para São Paulo. Em dezembro de 2025, a Flying Fish chegou às lojas da rede Oxxo e passou a ser vendida também no Zé Delivery, aplicativo de entrega de bebidas da própria Ambev.
O aplicativo se tornou um dos primeiros termômetros de aceitação em escala. Só em fevereiro deste ano, foram mais de 48 mil pedidos da marca, impactando cerca de 37 mil consumidores.
Foi nesse contexto que o Lollapalooza apareceu como próximo passo. Em vez de apostar diretamente em eventos de massa tradicionais — como Carnaval ou Copa do Mundo — a Ambev preferiu seguir uma lógica de expansão gradual.
“Começamos pequeno, testamos a aceitação e fomos aumentando os passos. O Lollapalooza faz parte dessa construção de expansão”, afirma Santos.
No festival, a marca terá um palco próprio, uma lata-bar gigante e um espaço de experiência com DJs, fotos e distribuição de brindes. Ao todo, serão mais de 13 mil brindes distribuídos ao longo dos três dias do evento, além de momentos específicos de degustação gratuita da bebida.