Ciência

Ovos dos maiores dinossauros do mundo são achados na Argentina

Fósseis na Patagônia revelam que titanossauros de até 75 toneladas criavam ninhos gigantes no extremo sul do planeta com técnica para reter o calor

Titanossauros: apesar do tamanho colossal dos adultos, seus ovos eram relativamente pequenos e tinham cascas finas e porosas (Imagem gerada por IA/EXAME/Exame)

Titanossauros: apesar do tamanho colossal dos adultos, seus ovos eram relativamente pequenos e tinham cascas finas e porosas (Imagem gerada por IA/EXAME/Exame)

Publicado em 9 de setembro de 2026 às 20h25.

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Os maiores dinossauros conhecidos do planeta também se reproduziam em regiões distantes do Equador. A descoberta mostra que esses animais não apenas chegavam a altas latitudes, mas também eram capazes de construir ninhos nessas áreas.

O estudo, publicado nesta quarta-feira, 9, na revista Royal Society Open Science, analisou ovos fossilizados de titanossauros encontrados no sul da Argentina.

Os resultados sugerem que esses saurópodes podem ter usado uma estratégia para incubar os ovos mesmo em ambientes mais frios, com ninhos de vegetação e solo aquecidos pela decomposição do material orgânico.

Descoberta muda o que se sabia sobre a reprodução dos titanossauros

Os pesquisadores encontraram 255 fragmentos de cascas de ovos na Formação Chorrillo, localizada cerca de 322 quilômetros ao norte do Estreito de Magalhães, no sul da Argentina.

Os fósseis têm aproximadamente 68 milhões de anos. Na época em que os ovos foram depositados, a região estava entre 55 e 60 graus de latitude sul.

Segundo o estudo, o local representa o ambiente de nidificação em latitude mais alta já identificado para saurópodes no mundo e a evidência confirmada mais ao sul de ovos de dinossauro.

A descoberta mostra que os titanossauros eram capazes de nidificar em altas latitudes, algo que ainda não havia sido confirmado. Restos ósseos desses animais já haviam sido encontrados em regiões tão ao sul quanto a Antártica e o sul da Argentina. A dúvida era se eles apenas passavam por esses locais ou também se reproduziam neles.

Como os ovos eram incubados?

Os titanossauros provavelmente não chocavam diretamente seus ovos, já que seu enorme peso poderia destruí-los. Segundo os pesquisadores, o cenário mais provável é que os animais enterrassem os ovos em ninhos formados por terra e vegetação. À medida que o material vegetal se decompunha, o processo liberava calor que poderia ajudar na incubação dos embriões.

As cascas altamente porosas reforçam essa hipótese. Se permanecessem expostos ao ar, os ovos perderiam água, poderiam ressecar e comprometer o desenvolvimento dos embriões. Enterrá-los em areia, solo ou vegetação ajudaria a manter a umidade necessária durante a incubação.

Essa estratégia teria permitido a reprodução em uma região que recebia menos luz solar do que áreas próximas ao Equador, embora o clima do final do Cretáceo naquele local não fosse tão frio quanto atualmente.

O que a descoberta revela sobre esses gigantes?

Os titanossauros pertenciam ao grupo dos saurópodes e incluem os maiores dinossauros já conhecidos, com indivíduos que podiam atingir cerca de 75 toneladas, mais de oito vezes o peso de um Tyrannosaurus rex.

Apesar do tamanho colossal dos adultos, seus ovos eram relativamente pequenos. Cada um podia conter cerca de 4 litros, enquanto os filhotes pesavam aproximadamente 4 quilos ao nascer. O tamanho dos ovos correspondia a cerca de 1/18.000 do tamanho de um titanossauro adulto.

Os ninhos, por outro lado, poderiam ocupar bastante espaço. Darla Zelenitsky, paleontóloga da Universidade de Calgary e uma das principais autoras da pesquisa, compara essas estruturas a montes de terra e vegetação do tamanho de uma mesa de piquenique.

Os cientistas acreditam que os titanossauros viviam em manadas e podem ter nidificado em comunidade, possivelmente retornando aos mesmos locais ao longo de diferentes gerações.

Ovos mudam hipótese sobre migração dos titanossauros

Restos de saurópodes são raros em altas latitudes. Uma das hipóteses era que esses gigantes migrassem para essas regiões durante os períodos mais quentes e depois retornassem para áreas mais próximas do Equador.

Para Paul Upchurch, paleobiólogo do University College London, que não participou da pesquisa, os ovos indicam outra possibilidade. Os titanossauros podem ter permanecido nessas regiões durante todo o ano ou, pelo menos, tempo suficiente para completar seu ciclo reprodutivo durante a estação mais quente.

Já Steve Brusatte, paleontólogo da Universidade de Edimburgo, afirmou que a descoberta amplia o conhecimento sobre a capacidade de adaptação desses animais a diferentes ambientes.

Os pesquisadores ainda não conseguiram determinar a qual espécie de titanossauro pertenciam os ovos encontrados na Formação Chorrillo.

Dentes descobertos no mesmo sítio paleontológico pertencem a colossossauros, grupo que reúne alguns dos maiores titanossauros conhecidos. Essa associação, porém, não é suficiente para confirmar que os ovos pertenciam a esses animais.

Ovos de dinossauro são relativamente raros no registro fóssil. Suas cascas são finas e frágeis, quebram facilmente em pequenos fragmentos e, por isso, são difíceis de preservar durante milhões de anos.

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