Elon Musk: empresário é descrito por diferentes pessoas como "caótico, imprevisível, caprichoso" (Wikimedia Commons/Imagem gerada por IA)
Repórter
Publicado em 9 de setembro de 2026 às 21h28.
A Bleecker Street divulgou o primeiro teaser de "Musk", documentário de Alex Gibney sobre o empresário Elon Musk. Com 3 horas e 52 minutos de duração, o filme estreia nos festivais de Veneza e Toronto em setembro e chega aos cinemas em outubro. A produção será exibida pela HBO em 2027.
O teaser, de 48 segundos, mostra lançamentos de foguetes ligados às empresas de Musk, incluindo momentos em que eles caem. O empresário é descrito por diferentes pessoas como "caótico, imprevisível, caprichoso", além de "cruel e egoísta". Uma das vozes afirma ainda que, em um romance de ficção científica, Musk não seria o herói.
O documentário começou a ser produzido no fim de 2022 e mudou de tamanho conforme a trajetória do empresário avançava. O projeto, inicialmente planejado para ter duas horas, chegou a uma versão de seis horas antes de ser reduzido à edição final.
"Musk" acompanha diferentes momentos da carreira do empresário, incluindo sua atuação na Tesla, SpaceX, Starlink, Neuralink e Twitter, além de sua aproximação com o governo de Donald Trump e sua passagem pelo Departamento de Eficiência Governamental (DOGE).
Segundo Gibney, o objetivo não é apenas recontar a trajetória de Musk, mas examinar como ele acumulou poder e quais podem ser as consequências dessa concentração.
A produção reúne entrevistas com pessoas ligadas ao empresário, jornalistas, especialistas e outras fontes. Musk não participou do documentário e classificou o projeto como um "hit piece" (expressão usada para descrever uma obra feita com o objetivo de difamar alguém) em uma publicação no X (antigo Twitter).
Entre os assuntos abordados estão o papel da Starlink em regiões de conflito, a relação entre a NASA e a SpaceX e a atuação de Musk no governo americano. O filme também discute o acesso que integrantes do DOGE teriam tido a dados de cidadãos dos Estados Unidos e as possíveis implicações políticas desse acesso.
A produção conta ainda com um depoimento de Ashley St. Clair, ex-namorada de Musk. Ela relata conversas que teve com o empresário antes da eleição presidencial americana de 2024. Segundo as informações divulgadas sobre o filme, St. Clair recusou um acordo de US$ 40 milhões, cerca de R$ 205 milhões na cotação atual, para participar do documentário.
Sem uma entrevista com o empresário, Gibney também utilizou recursos visuais para construir a narrativa. Um deles é um avatar digital de Musk, criado a partir de gravações públicas de sua voz disponíveis na internet.
O material foi usado para desenvolver uma versão do empresário em formato de videogame. Em algumas cenas, o avatar aparece percorrendo ambientes virtuais como um personagem de um jogo de tiro.
De acordo com Gibney, a escolha dialoga com o interesse de Musk pela ideia de que a realidade poderia ser uma espécie de simulação. O diretor também afirma que o recurso serve para questionar a imagem que o empresário construiu ao longo dos anos.