Dayane Titon Cardoso, diretora comercial e de marketing da Baly: "Como temos produção nacional, conseguimos preços mais competitivos e ajudamos a democratizar o mercado de sabores, que era carente" (Leandro Fonseca /Exame)
Repórter de Negócios
Publicado em 3 de janeiro de 2026 às 07h54.
No interior de Santa Catarina, uma marca brasileira conseguiu o que parecia improvável: transformar-se na segunda empresa de energéticos mais consumida do país e desafiar as líderes globais do setor.
A Baly, criada em Tubarão em 1997, já produz, segundo dados próprios, 205 milhões de litros de energético por ano — volume que a posiciona apenas atrás da Monster, distribuída no Brasil pelo sistema Coca-Cola.
Em termos de participação de mercado, a empresa catarinense informa que já atingiu 25% de share de volume, segundo levantamento encomendado pela Baly à NielsenIQ.
Na comparação entre o primeiro trimestre de 2025 e o quarto trimestre de 2024, por exemplo, a marca afirma ter registrado uma alta de 27% na participação de volume, consolidando-se como a segunda maior do setor, superando, por exemplo, a austríaca Red Bull.
Procurada, a NielsenIQ, responsável pela aferição, informou que não divulga publicamente dados de market share por serem sigilosos contratualmente.
Com produção crescente, portfólio de 28 sabores e presença internacional, a Baly consolida sua trajetória como um dos exemplos mais marcantes de inovação e crescimento do setor de bebidas no Brasil.
Mário Júnior Cardoso, Mário Cardoso, Dayane Titon Cardoso e Jânio Nandi Cardoso, da Baly Brasil: família já produz energético há 16 anos (Ricardo Beppler / Baly Brasil/Divulgação)
Se hoje o energético é o carro-chefe, a trajetória da Baly começou com outra proposta.
Quando Mário Cardoso e o sobrinho fundaram a empresa, em 1997, o foco era a comercialização de cachaças e vinhos — atividade que seguiu por mais de uma década.
A guinada veio em 2009, durante o Carnaval, quando a Baly viu a oportunidade de lançar energéticos em embalagens PET, uma inovação em um mercado ainda concentrado em latinhas. "A chegada das garrafas PET às prateleiras democratizou a bebida entre novos consumidores, especialmente nos grupos de amigos e famílias", afirma Dayane Titon Cardoso, diretora comercial e de marketing da Baly.
A estratégia funcionou e impulsionou o energético a assumir a liderança no portfólio da empresa, enquanto as bebidas alcoólicas foram gradualmente deixadas de lado. Apenas em 2017 a Baly voltaria a atuar nesse segmento, com o lançamento de uma linha de cervejas.
Hoje, a Baly opera com duas unidades industriais em Santa Catarina — uma de 30 mil metros quadrados em Tubarão e outra de 20 mil metros quadrados em Treze de Maio —, empregando cerca de mil funcionários diretos.
O salto da Baly foi potencializado a partir de 2017, quando Dayane e Mário Cardoso assumiram a gestão com foco total na leitura do mercado e no atendimento às novas demandas dos consumidores brasileiros.
Uma das principais lacunas identificadas era a oferta de produtos saborizados, segmento ainda pouco explorado pelas multinacionais de energético.
"Como temos produção nacional, conseguimos preços mais competitivos e ajudamos a democratizar o mercado de sabores, que era carente", afirma Dayane. "Durante a pandemia, isso ficou muito claro. Fomos lançando vários sabores diferentes, e todos com aderência do público."
Hoje, a Baly oferece um portfólio diversificado, com 28 sabores — de clássicos como Maçã Verde e Tropical a misturas como Abacaxi com Hortelã e Coco com Açaí. Entre os líderes de vendas estão Tropical, Maçã Verde, Melancia e o mix Morango com Pêssego.
Um dos diferenciais do crescimento foi a proximidade com os pontos de venda. "Valorizamos muito onde o produto está", afirma Dayane. "Estamos gastando bastante sola de sapato para saber o máximo de necessidade que o cliente tem, e o ponto de venda dá muitas informações, da necessidade às ausências."
Exemplo dessa escuta ativa foi a percepção da ausência de um energético sabor Maçã Verde, muito usado por bartenders em drinques. A Baly não perdeu tempo e transformou a demanda em produto, que rapidamente se tornou um dos mais vendidos.
No segmento zero açúcar, a Baly informa ter contribuído com 35% do share de volume nos últimos 12 meses móveis no canal moderno, segundo levantamento da NielsenIQ encomendado pela empresa. Esse percentual subiu para 39% no primeiro trimestre de 2025, reforçando a liderança da marca também nessa categoria em expansão.
"Hoje temos diversos sabores que são brasileiros, escolhidos pelo cliente brasileiro. É um atributo que acredito fortemente que nos fez chegar até aqui", afirma Dayane.
A marca também inovou ao criar o Baly Kids, suplemento de vitaminas para crianças, com ferro, magnésio, zinco e vitaminas A e do Complexo B, em bebida levemente gaseificada. Já foram vendidas mais de 6 milhões de latas desse produto.
"As crianças desejam pertencer aos momentos de lazer dos adultos. Por isso, ter seu próprio Baly já cria uma conexão com a marca desde cedo", explica Dayane.
Em 2024, a Baly informa que sua produção atingiu um recorde histórico: 205 milhões de litros de energéticos.
Entre as inovações mais recentes está a linha “Celebre”, com três sabores exclusivos: Champanhe, Caipirinha e Floripa Tropical Spritz — todos não alcoólicos e com teor reduzido de açúcares. O sabor Champanhe, segundo a Baly, superou em 600% a média histórica de pedidos da marca.
A empresa também lançou a linha de isotônicos Baly Hidrate, com sabores de tangerina, limão e melancia, comercializados em garrafas PET de 500 ml.
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