Osmar Stabille: presidente do Corinthians assumiu o clube em agosto após impeachment de Augusto Melo (Foto: Reprodução/Corinthians TV)
Colaboradora
Publicado em 19 de agosto de 2026 às 16h39.
Sem propostas por seus principais jogadores até o momento, o Corinthians busca alternativas para reforçar o caixa e atravessar os próximos meses sem depender exclusivamente da venda de atletas. A diretoria comandada por Osmar Stabile avalia utilizar uma previsão do estatuto do clube que permite antecipar até 30% das receitas do primeiro ano da próxima gestão.
Segundo o GE, a medida ganhou força diante da pressão financeira enfrentada pelo clube. O Corinthians tem três transfer bans ativos, sendo dois aplicados pela Fifa e um pela CBF, além de pendências com o elenco relacionadas a direitos de imagem, férias e premiações.
O cenário também inclui o aumento do valor do RCE (Regime Centralizado de Execuções), que chegou a R$ 237,4 milhões mesmo após o pagamento das cinco primeiras parcelas.
De acordo com o GE, a diretoria corintiana trabalhava com a expectativa de arrecadar 25 milhões de euros, aproximadamente R$ 150,68 milhões na cotação atual, com transferências de jogadores ao longo de 2026. Até agora, porém, o clube não recebeu propostas consideradas capazes de cumprir essa previsão.
A ausência dessas receitas também aparece nas contas do Corinthians. Nos balancetes financeiros mais recentes, Stabile apontou a falta dos valores provenientes da negociação de atletas como um dos fatores para o resultado deficitário registrado nos primeiros meses do ano.
Ainda restam cerca de três semanas para o fechamento da janela de transferências, mas a falta de ofertas pelos principais nomes do elenco aumenta a necessidade de buscar outras fontes de recursos.
É nesse contexto que a diretoria passou a considerar a antecipação de receitas futuras. O artigo 117 do estatuto do Corinthians prevê que a administração pode antecipar ou comprometer até 30% das receitas correspondentes ao primeiro ano do mandato seguinte.
A possibilidade também está amparada pela Lei Geral do Esporte e, segundo o entendimento da atual gestão, não exige parecer do Cori (Conselho de Orientação) nem aprovação do Conselho Deliberativo.
A regra permite que a administração atual utilize parte de recursos que, em condições normais, ficariam disponíveis para a próxima gestão. Como a eleição presidencial do Corinthians está prevista para novembro, a diretoria entende que a operação está dentro das regras estabelecidas pelo clube.
O valor exato ainda não está definido. Para 2026, o orçamento aprovado pelo Conselho Deliberativo prevê uma receita de R$ 806 milhões sem considerar negociações de jogadores.
A eventual antecipação, no entanto, será calculada com base na previsão orçamentária de 2027, que ainda não foi apresentada pelo departamento financeiro. Por isso, não é possível determinar neste momento quanto representaria, em dinheiro, o limite de 30% previsto no estatuto.
Na prática, a operação funcionaria como uma injeção de recursos no caixa atual, mas reduziria a margem financeira disponível para a administração que assumir o clube a partir do próximo mandato.
Além das dificuldades no mercado de transferências, o Corinthians tem valores a receber de parceiros comerciais. A gestão trabalha para transformar esses créditos em recursos disponíveis no caixa, em meio a uma sequência de compromissos financeiros que pressiona a administração, segundo o GE.
Gaviões da Fiel, Camisa 12, Pavilhão 9, Estopim da Fiel, Coringão Chopp e Fiel Macabra anunciaram uma série de mobilizações contra a atual situação do Corinthians. A primeira aconteceu nesta tarde, na sede do Ministério Público de São Paulo (MP-SP), na região da Sé.
Segundo as torcidas, o ato teve como objetivo manifestar apoio às investigações sobre o clube e solicitar aos órgãos competentes a análise da situação administrativa e financeira do Corinthians. As organizadas também defendem a adoção de medidas que possam provocar mudanças na gestão.
“O Corinthians vive uma das maiores crises de sua história. A torcida não aguenta mais essa política suja que domina o clube, os conchavos de bastidores e um modelo associativo que, há anos, afasta o verdadeiro dono desta paixão: o povo corinthiano.”
A mobilização terá continuidade na quinta-feira, 20, quando o Corinthians entra em campo pela Libertadores. As organizadas pretendem apoiar os jogadores antes da partida, mas também prometem manifestações durante o compromisso do time.
A ideia é direcionar os protestos à situação política e administrativa do clube, mantendo a cobrança por mudanças no comando do Corinthians.
A maior manifestação está marcada para sábado, 22, a partir das 10h, em frente ao Parque São Jorge. As organizadas convocaram os torcedores para participar do protesto e reforçar as cobranças à diretoria.