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Nova Jabulani? Bola da Copa levanta dúvidas após sequência de gols de fora da área

Mais de dez gols de fora da área já foram marcados no Mundial, enquanto ex-goleiros apontam que a Trionda pode estar chegando mais rápido do que o esperado ao gol

Raphinha com a bola da Copa: objeto vem causando dúvidas na Copa do Mundo (Roberto Schmidt/AFP)

Raphinha com a bola da Copa: objeto vem causando dúvidas na Copa do Mundo (Roberto Schmidt/AFP)

Gabriella Brizotti
Gabriella Brizotti

Colaboradora

Publicado em 23 de junho de 2026 às 11h58.

A Copa do Mundo de 2026 tem sido marcada por uma série de gols de longa distância que vêm chamando a atenção de torcedores, jogadores e especialistas. Embora o número de finalizações de fora da área esteja entre os menores das últimas décadas, a eficiência desses chutes disparou e levantou uma velha discussão: a bola oficial do torneio pode estar influenciando o desempenho dos goleiros?

A Trionda, produzida pela Adidas para a Copa do Mundo, está no centro do debate após mais de dez gols serem marcados de fora da área nas primeiras semanas da competição. Além disso, diversos goleiros tiveram dificuldades para segurar chutes de média e longa distância, gerando rebotes que também terminaram em gol.

Os números ajudam a explicar a repercussão. A média de chutes de fora da área é de apenas 9,3 por partida, a segunda menor registrada desde 1966. Ainda assim, a Copa registra 3,18 gols por jogo, a maior média desde o Mundial de 1966, conquistado pela Inglaterra em Wembley.

Especialistas apontam comportamento incomum da bola

A discussão ganhou força após o gol marcado por Martin Baturina na derrota da Inglaterra para a Croácia. O meia croata arriscou de cerca de 20 metros e obrigou Jordan Pickford a uma defesa incomum. O goleiro inglês chegou a tocar na bola, mas ela passou por cima de sua mão e terminou no fundo da rede.

Ex-goleiro da Inglaterra e atual comentarista da BBC, Paul Robinson afirmou que a bola apresentou comportamentos que merecem atenção ao longo do torneio.

“Há uma ou duas ocasiões em que esta bola não necessariamente se comportou como se esperaria”, afirmou.

Robinson destacou que fatores como temperatura, altitude e até o uso de ar-condicionado nos estádios podem potencializar o efeito observado em alguns lances.

"É algo para ficar de olho. Aquele jogo [da Inglaterra] foi disputado em um estádio fechado, com ar-condicionado. Essas condições vão afetar a bola. A Cidade do México, em altitude elevada, vai afetar a bola, e jogar em Boston e Nova Jersey no calor também são condições que causam efeito”, completou.

Messi, Mbappé e outros exemplos

O lance de Baturina não foi um caso isolado. Lionel Messi abriu seu hat-trick contra a Argélia com um chute de longa distância que ainda desviou antes de vencer Luca Zidane. O goleiro argelino também teve dificuldades para controlar outra finalização de fora da área, desta vez de Alexis Mac Allister.

Outros exemplos apareceram ao longo da competição. Romano Schmid marcou um dos golaços mais comentados do torneio pela Áustria, enquanto Yasin Ayari balançou as redes duas vezes de fora da área na vitória da Suécia sobre a Tunísia. Nathan Saliba marcou em cobrança direta de falta e Kylian Mbappé também deixou sua marca em uma finalização de longa distância.

Fantasma da Jabulani reaparece

A polêmica envolvendo bolas oficiais não é novidade em Copas do Mundo. Em 2010, a Jabulani virou alvo de críticas de goleiros por conta da trajetória imprevisível e do elevado número de gols marcados de longe.

Na época, David James classificou a bola como "horrível", enquanto Hugo Lloris a definiu como um "desastre". A Adidas, por sua vez, defendeu o produto e afirmou que se tratava da bola mais redonda já produzida.

Dezesseis anos depois, a Trionda ainda está longe de receber críticas tão severas. No entanto, o aumento dos gols de longa distância e as dificuldades enfrentadas por alguns goleiros já colocaram a bola oficial da Copa do Mundo novamente no centro das atenções.

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