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Do Ceará ao Rio Grande do Sul: quais estados prometem disputas acirradas para governador

Em alguns casos, o que também embaralha a disputa é a sucessão do governo anterior e as rixas antigas entre correntes partidárias e figuras locais

Eleições 2026: Cenários acirrados nas disputas estaduais (Marcos Oliveira/Agência Senado/Flickr)

Eleições 2026: Cenários acirrados nas disputas estaduais (Marcos Oliveira/Agência Senado/Flickr)

Letícia Cassiano
Letícia Cassiano

Colaboradora

Publicado em 12 de julho de 2026 às 13h27.

Duas semanas antes do início do período das convenções partidárias das eleições de 2026, algumas corridas estaduais já despontam como as mais imprevisíveis do país.

Em parte dos estados, dois pré-candidatos concentram as intenções de voto e travam uma disputa direta pela liderança das pesquisas. Em outros, um terceiro nome embaralha o cenário e torna o resultado ainda mais incerto.

Os levantamentos divulgados nas últimas semanas mostram que ao menos sete estados devem protagonizar algumas das eleições para governador mais disputadas deste ano: Alagoas, Bahia, Ceará, Espírito Santo, Pernambuco, Rio Grande do Sul e São Paulo.

Embora cada estado tenha suas particularidades, chama a atenção o fato de que nem sempre a disputa ocorre entre candidatos identificados com os campos tradicionais da esquerda e da direita.

Em diversos casos, o confronto envolve nomes de centro-direita ou mesmo aliados de grupos políticos que disputam espaços dentro do mesmo espectro ideológico.

Em alguns casos, o que também embaralha a disputa é a sucessão do governo anterior e as rixas antigas entre correntes partidárias e figuras locais.

Rio Grande do Sul e seus três polos

Se, na maioria dos estados, a corrida parece concentrada em dois nomes, no Rio Grande do Sul o cenário é mais fragmentado.

A pesquisa Real Time Big Data, divulgada no fim de junho, mostra três pré-candidatos ocupando as primeiras posições: o deputado federal Luciano Zucco (PL), a ex-deputada estadual Juliana Brizola (PDT) e o vice-governador Gabriel Souza (MDB).

Com três candidaturas competitivas, o estado apresenta uma das disputas mais imprevisíveis do país. Diferentemente dos demais cenários, nenhum dos postulantes conseguiu abrir vantagem suficiente para consolidar uma liderança isolada, o que deve manter a corrida gaúcha em aberto durante a campanha.

Primeiro turno com traços de segundo

Em outros estados, a corrida pelo Executivo estadual ganha a forma de segundo turno, com embates diretos entre dois pré-candidatos principais.

Em Alagoas, a disputa opõe o ex-prefeito de Maceió, João Henrique Caldas (JHC), do PL, ao filho de Renan Calheiros, da política tradicional no estado, o ex-ministro Renan Filho (MDB). Os dois apareceram empatados nas últimas pesquisas de intenção de voto.

No Espírito Santo, o ex-prefeito de Vitória, Lorenzo Pazolini (Republicanos), e o governador Ricardo Ferraço (PSD) despontam como os principais concorrentes.

Ferraço é o sucessor de Renato Casagrande (PSB), que governou o estado por dois mandatos e tem grande popularidade como uma alternativa à política do ex-governador Paulo Hartung (PSD), que, por sua vez, apoia Pazolini. Trata-se de uma disputa antiga que ganhou dois novos representantes.

A disputa pernambucana coloca frente a frente o ex-prefeito do Recife, João Campos (PSB), e a governadora Raquel Lyra (PSD). Ao longo dos últimos meses, as pesquisas mostraram oscilações entre os dois.

Já em São Paulo, o maior colégio eleitoral do país, a disputa continua concentrada entre o governador Tarcísio de Freitas (Republicanos), que tenta a reeleição, e o ex-ministro da Fazenda Fernando Haddad (PT).

O confronto reedita a polarização entre bolsonarismo e petismo que marcou as últimas eleições estaduais.

O cenário também foi marcado pela saída de dois pré-candidatos, Paulo Serra (PSDB) e o deputado federal Kim Kataguiri (Missão-SP), após a divulgação dos levantamentos que explicitam essa polarização no estado.

PT ganha adversários no Nordeste

Na Bahia, o ex-prefeito de Salvador, ACM Neto (União Brasil), e o governador, Jerônimo Rodrigues (PT), seguem protagonizando uma das disputas mais relevantes do Nordeste, região que tradicionalmente vota no Partido dos Trabalhadores.

A margem é pequena, mas os últimos levantamentos mostram uma vantagem para o pré-candidato do campo conservador.

No Ceará, a corrida é liderada por Ciro Gomes (PSDB), um dos maiores nomes da política cearense, e pelo governador Elmano de Freitas (PT).

Apesar de o nome de Elmano ser o indicado do partido, as pesquisas mostram a força do ex-ministro da Educação, Camilo Santana (PT), quando sugerem seu nome como potencial candidato.

Campanha tende a elevar temperatura das disputas

As convenções partidárias começam em 20 de julho e marcam a fase de oficialização das candidaturas e das alianças eleitorais. A partir daí, a tendência é que as campanhas intensifiquem agendas, estratégias e inserções públicas para conquistar o eleitorado ainda indeciso.

Embora os levantamentos indiquem favoritos em alguns estados, o cenário permanece sujeito a mudanças até o primeiro turno. A definição das chapas, o início da propaganda eleitoral e os debates devem influenciar o comportamento do eleitorado nas próximas semanas.

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