Copa do Mundo: a Trionda é a nova Jabulani? (Divulgação / Adidas)
Redação Exame
Publicado em 20 de junho de 2026 às 19h25.
O fantasma da Jabulani, bola da Fifa para a Copa do Mundo de 2010, parece ter voltado a assombrar os goleiros na Copa do Mundo de 2026.
Uma onda de gols de fora da área acendeu o debate na imprensa britânica sobre o comportamento da Trionda, a bola oficial desta edição do torneio. Ex-jogadores e comentaristas renomados da Inglaterra afirmam que a bola está se movendo de forma imprevisível e acelerada, o que dificulta a vida dos camisas 1.
O Mundial ostenta uma média impressionante de 3,13 gols por jogo, o maior índice registrado desde a Copa de 1958. Embora a média de finalizações de longa distância seja de apenas 9,3 por partida (a segunda menor desde 1966), as redes balançaram dez vezes em chutes de fora da área logo na primeira rodada.
Segundo análises do jornal The Telegraph, a bola parece atingir as metas em uma velocidade muito superior à esperada pelos atletas.
Para o ex-goleiro da seleção inglesa Paul Robinson, atual comentarista da BBC, o problema não está apenas no design da bola, mas em como ela reage às condições geoclimáticas extremas dos três países sedes (EUA, México e Canadá).
Na Cidade do México, por exemplo, o ar rarefeito diminui a resistência aerodinâmica, o que faz com que a bola viaje muito mais rápido. Nos Estados Unidos, cidades americanas como Boston e Nova Jersey registram altas temperaturas que alteram a pressão interna da Trionda.
Ainda pelo calor, estádios fechados com ar-condicionado criam um ambiente sem vento, em que a bola desliza pelo ar com facilidade artificial.
"Fizemos uma análise detalhada. Quando você joga em ambientes fechados com teto retrátil, a bola se move muito mais rápido. Ela viaja pelo ar em velocidade maior. São pequenos detalhes que fazem uma enorme diferença para quem está debaixo das traves", explicou o ex-atacante Wayne Rooney.
Lances capitais da primeira fase reforçam a tese dos críticos. O astro Lionel Messi marcou para a Argentina contra a Argélia em um chute de longe, que fez uma curva bizarra antes de enganar Luca Zidane.
O francês Kylian Mbappé e o sueco Yasin Ayari também castigaram os goleiros adversários com petardos de fora da área.
Até mesmo a vitória da Inglaterra por 4 a 2 sobre a Croácia foi marcada por polêmica. O goleiro Jordan Pickford tentou espalmar um chute de Martin Baturina que viajava a 124 km/h e acabou aceitando.
"Tenho notado isso principalmente nas bolas altas. Sinceramente, sinto que essa bola chega aos goleiros mais rápido do que eles esperam quando sai do pé do jogador. Você vê o Pickford atacando a bola e se pergunta por que ele foi com o dedão e não com a mão aberta. É porque a bola já estava em cima dele", apontou o ex-goleiro Joe Hart.
Discussões sobre a física das bolas de futebol são uma tradição em Copas. O ápice ocorreu em 2010 com a lendária Jabulani, criticada mundialmente por mudar de direção no meio da trajetória, seguida por reclamações menores contra a Al Rihla no Catar em 2022.
Para os analistas britânicos, os goleiros deste Mundial terão que passar por uma rápida readaptação de reflexos e coordenação motora para não virarem estatística nas mãos dos atacantes.