Espanha: jogo de hoje pode ajudar a definir trajetória da favorita na Copa de 2026 (David Ramos/Getty Images)
Repórter
Publicado em 21 de junho de 2026 às 12h43.
Empatar sem gols com o 64º colocado no ranking da Fifa não é o tipo de resultado que se espera de uma seleção apontada como favorita por quatro modelos estatísticos diferentes antes do início do torneio. Mas a relação entre favoritismo e estreia tropeçada tem mais história do que parece — e a própria Espanha já viveu esse roteiro antes, com final feliz.
Na estreia da Copa do Mundo de 2026, em 15 de junho, a Espanha dominou a posse de bola e os números de chutes contra Cabo Verde, mas não conseguiu transformar volume ofensivo em gol.
O goleiro cabo-verdiano Vozinha, de 40 anos, foi o nome da partida — defendeu o que veio pela frente e garantiu à seleção africana o primeiro ponto da sua história em Copas do Mundo, na estreia absoluta do país no torneio.
Lamine Yamal, o jogador mais valioso da competição, entrou apenas nos 20 minutos finais, ainda buscando ritmo de jogo.
O resultado teve efeito imediato nas casas de apostas.
As odds da Espanha como campeã saltaram de 5.00 para 7.00 depois do empate — uma queda relevante de confiança do mercado, embora a seleção continue entre as favoritas ao título.
A reação reflete a tese mais simples: um empate contra um adversário muito mais barato no mercado é lido como sinal de fragilidade ofensiva, não como acaso.
Mas o próprio histórico da Espanha sugere cautela com essa leitura.
Em 2010, ano em que conquistou seu único título mundial, a seleção espanhola perdeu a estreia por 1 a 0 para a Suíça — resultado bem mais grave do que um empate — e ainda assim ergueu a taça partidas depois.
Segundo levantamento do mercado de apostas, apenas dois dos últimos sete campeões do mundo perderam o jogo de abertura da fase de grupos; a Espanha de 2010 é uma dessas duas exceções, o que mostra que o padrão histórico pesa contra a regra, não a favor dela.
O caso da Espanha também não foi isolado na rodada.
Bélgica e Uruguai, ambas as seleções com status de favoritas em seus grupos, também estrearam com empates diante de adversários tecnicamente inferiores no mesmo dia.
Do lado das zebras, Cabo Verde, Egito e Arábia Saudita surpreenderam, deixando os grupos H e G sem líder isolado logo na primeira rodada — um padrão que se repetiu o suficiente para já ser tratado como tendência do Mundial de 48 seleções, e não só um acaso pontual envolvendo a Espanha.
O próprio formato ampliado do torneio ajuda a explicar o fenômeno. Com 48 seleções e oito terceiros colocados avançando ao mata-mata, a distância entre favoritos e azarões na fase de grupos importa menos do que em edições anteriores — o que reduz a pressão sobre seleções menores e aumenta o espaço para resultados equilibrados mesmo contra adversários de elenco muito mais caro.
A Espanha tem a chance de responder ao tropeço nesta segunda rodada. A equipe de Luis de la Fuente enfrenta a Arábia Saudita, neste domingo, 21 de junho, às 13h (horário de Brasília), em Atlanta — adversário que chega ao Mundial com elenco avaliado em uma fração do valor espanhol, mas que já mostrou capacidade de incomodar favoritos: a seleção saudita arrancou um empate contra o Uruguai na própria estreia do grupo, com gol de Abdulelah Al-Amri.
Um segundo tropeço da Espanha mudaria de forma significativa a leitura sobre a seleção: de "favorita com início lento" para "favorita em crise real" — distinção que só o resultado de hoje pode confirmar ou encerrar.
O jogo acontece neste domingo, 21, às 13h, no horário de Brasília.
A partida terá transmissão ao vivo pela CazéTV (YouTube, Prime Video e plataformas digitais)