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Como Bellingham mudou de patamar e virou o grande astro da Inglaterra na Copa

Depois de uma temporada marcada por lesões e dificuldades no Real Madrid, meio-campista se tornou o principal protagonista da seleção inglesa no Mundial

Bellingham: jogador é um dos destaques da Inglaterra na Copa do Mundo (Michael Regan - The FA/The FA/Getty Images)

Bellingham: jogador é um dos destaques da Inglaterra na Copa do Mundo (Michael Regan - The FA/The FA/Getty Images)

Gabriella Brizotti
Gabriella Brizotti

Colaboradora

Publicado em 11 de julho de 2026 às 08h12.

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A Copa do Mundo de 2026 pode marcar definitivamente a transformação de Jude Bellingham em um dos grandes protagonistas do futebol mundial. Aos 23 anos, o meio-campista da Inglaterra vem acumulando atuações decisivas e mostrando que seu impacto vai muito além dos gols ou assistências.

Se nas primeiras partidas já havia chamado atenção, foi diante do México, nas oitavas de final, que o camisa 10 entregou sua atuação mais completa até agora. Marcou duas vezes em sequência, ajudou defensivamente em um momento delicado da partida e comandou diversas transições ofensivas, sendo o principal nome da classificação inglesa.

O desempenho reforçou a impressão de que Bellingham passou a ocupar um patamar reservado aos grandes protagonistas da competição, ao lado de nomes como Lionel Messi e Kylian Mbappé.

De contestado antes da estreia a protagonista absoluto

A confiança em Bellingham não era unânime antes do início da Copa. Parte da imprensa inglesa defendia mudanças na equipe titular, com Morgan Rogers sendo apontado por alguns analistas como melhor opção para iniciar o torneio diante da Croácia. Poucas semanas depois, esse debate praticamente desapareceu.

O meio-campista participou diretamente de gols nas partidas contra Croácia, Panamá e México, tornando-se a principal referência técnica da equipe de Thomas Tuchel.

Além das contribuições ofensivas, chama atenção sua entrega física. Em praticamente todos os jogos, Bellingham percorre grandes distâncias, pressiona adversários, recompõe defensivamente e ainda aparece com qualidade na área rival.

Um líder também longe das quatro linhas

O torneio também revelou um lado diferente do jogador fora de campo.

Após eliminar o México, Bellingham fez questão de consolar o jovem Gilberto Mora, de apenas 17 anos, e trocou camisa com o meia ainda no túnel do estádio. Em outro momento, parou para conversar em espanhol com um jornalista venezuelano, oferecendo palavras de incentivo.

Em entrevista recente, também emocionou ao falar sobre a influência do avô, falecido, em sua formação pessoal e no orgulho que sente por representar a seleção inglesa.

Entre os companheiros, é tratado como uma das lideranças do elenco. Mesmo sendo um dos mais jovens, ganhou o apelido de "Unc", uma brincadeira com seu comportamento mais maduro. Também foi o responsável por apresentar o jogo de cartas Skyjo ao grupo durante a concentração em Kansas City.

A maturidade que contrasta com a Euro de 2024

O comportamento atual contrasta com a imagem vista há dois anos.

Na Eurocopa de 2024, Bellingham demonstrava maior irritação com as críticas dirigidas à Inglaterra. Depois do gol de bicicleta contra a Eslováquia, chegou a utilizar uma entrevista coletiva para rebater duramente os questionamentos sobre o desempenho da equipe.

Agora, o meia aparenta lidar melhor com a pressão e mostra mais tranquilidade sempre que fala com a imprensa.

Segundo Morgan Rogers, essa personalidade não surgiu apenas nesta Copa. O companheiro afirma que Bellingham sempre foi assim dentro da seleção, destacando sua competitividade, ambição e desejo constante de decidir partidas importantes.

Temporada difícil serviu como combustível

O excelente momento na Copa veio depois de um dos períodos mais complicados da carreira do inglês.

Bellingham passou por uma cirurgia no ombro no início da temporada, perdeu diversas convocações da Inglaterra e ainda sofreu uma lesão muscular que reduziu bastante sua sequência de jogos antes do Mundial.

No Real Madrid, também viveu um ano frustrante. A equipe terminou a temporada sem conquistar títulos e enfrentou dificuldades para se adaptar às ideias de Xabi Alonso. Mesmo nesse cenário, o meia seguiu sendo reconhecido internamente pelo profissionalismo e pela dedicação nos treinamentos.

Posteriormente, com Álvaro Arbeloa assumindo o comando técnico, voltou a ganhar protagonismo e consolidou ainda mais sua posição como uma das lideranças do elenco merengue, que iniciará um novo ciclo sob o comando de José Mourinho.

Liderança construída desde as categorias de base

A personalidade de Bellingham nunca foi considerada comum para sua idade. Desde os 13 anos, quando foi integrado ao projeto de desenvolvimento acelerado da Federação Inglesa, o meia já chamava atenção pela facilidade em liderar grupos.

Nas seleções de base, costumava apresentar análises das partidas aos companheiros, falar em público com naturalidade e até ajudar na integração de atletas recém-chegados ao grupo.

Essa postura reaparece constantemente durante a Copa do Mundo, seja dentro de campo, assumindo responsabilidades nos momentos decisivos, seja nos bastidores, apoiando companheiros e adversários.

A dupla com Harry Kane mudou o ataque inglês

Outro fator importante para o crescimento da Inglaterra foi a sintonia construída entre Bellingham e Harry Kane.

Na Euro de 2024, a equipe teve dificuldades para encontrar um equilíbrio ofensivo, principalmente pela coexistência de Bellingham e Phil Foden atuando nos mesmos espaços.

O treinador Thomas Tuchel resolveu o problema antes mesmo da Copa começar. O treinador decidiu estruturar o ataque ao redor da parceria entre Kane e Bellingham, abrindo mão de Foden na convocação.

A mudança trouxe resultados imediatos.

Foi Bellingham quem cruzou para um dos gols de Kane contra o Panamá. Diante do México, o atacante participou diretamente das duas jogadas que terminaram nos gols do companheiro.

A conexão entre os dois transformou o setor ofensivo inglês e ajudou a seleção a chegar entre as oito melhores equipes do Mundial.

Hoje, mais do que uma promessa ou um talento em desenvolvimento, Bellingham se consolidou como o principal motor da Inglaterra. A Copa de 2026 parece representar exatamente esse momento: o torneio em que o meio-campista deixou de apenas confirmar expectativas para se estabelecer entre os grandes jogadores do futebol mundial.

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