Ciência

Dormir pouco engorda? Estudo revela efeito de perder 80 minutos de sono

Redução moderada no tempo de descanso foi associada a alterações no comportamento e no metabolismo

Sono: pesquisa associou menos horas de descanso ao ganho de peso e ao sedentarismo (tommaso79/Thinkstock)

Sono: pesquisa associou menos horas de descanso ao ganho de peso e ao sedentarismo (tommaso79/Thinkstock)

Publicado em 11 de julho de 2026 às 08h06.

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Dormir cerca de 80 minutos a menos por noite pode ser suficiente para favorecer o ganho de peso e aumentar o tempo sedentário. A conclusão é de um estudo conduzido por pesquisadores da Universidade de Columbia, nos Estados Unidos, que acompanhou adultos durante 12 semanas para investigar como uma redução moderada no tempo de sono afeta o organismo.

Os resultados foram publicados na última terça-feira, 7, na revista Annals of Internal Medicine e indicam que pequenas perdas de sono, comuns na rotina de quem trabalha, estuda ou passa mais tempo diante de telas, podem contribuir para o aumento gradual do peso e elevar o risco de doenças associadas à obesidade ao longo do tempo.

Como a redução do sono afeta o peso

Para chegar aos resultados, os pesquisadores acompanharam 95 adultos que normalmente dormiam entre sete e oito horas por noite.

Durante as primeiras seis semanas, os participantes mantiveram seus hábitos rotineiros de sono. Na etapa seguinte, eles passaram a adiar o horário de dormir em cerca de 90 minutos, reduzindo o tempo efetivo de descanso em aproximadamente 80 minutos por noite.

Ao longo do estudo, relógios com sensores registraram a duração do sono e os níveis de atividade física. A equipe também avaliou peso corporal, circunferência da cintura, composição corporal e hormônios relacionados à fome e à saciedade.

Ao final do período de restrição do sono, os voluntários apresentaram ganho médio de cerca de meio quilo. Embora o aumento tenha sido relativamente pequeno, os pesquisadores destacam que ele ocorreu em apenas seis semanas.

Segundo o primeiro autor do estudo, Faris Zuraikat, se esse padrão de sono for mantido por períodos mais longos, o ganho de peso pode se tornar clinicamente relevante ao longo do tempo.

Menos sono também aumenta o sedentarismo

Além do aumento de peso, a redução do sono levou os participantes a permanecerem mais tempo inativos. Em média, o tempo sedentário aumentou 17 minutos por dia durante a fase de restrição do sono. Entre homens e mulheres na pós-menopausa, esse período chegou a quase 30 minutos diários.

Os pesquisadores ressaltam que esse resultado não ocorreu apenas porque os participantes permaneceram acordados por mais tempo. Mesmo considerando esse fator, eles passaram mais tempo sem realizar atividades físicas do que quando dormiam o suficiente.

Esse comportamento merece atenção uma vez que o sedentarismo está associado ao aumento do risco de doenças cardiovasculares, diabetes, hipertensão e obesidade.

Estudo analisou uma situação comum da rotina

Grande parte das pesquisas anteriores avaliava cenários extremos, nos quais os voluntários dormiam apenas quatro horas por noite durante alguns dias. Esses estudos já haviam mostrado que a privação severa de sono aumenta o apetite e favorece o consumo excessivo de alimentos.

Neste trabalho, porém, os cientistas optaram por investigar uma situação muito mais comum no dia a dia: pessoas que deixam de dormir cerca de uma hora ou uma hora e meia por noite devido ao trabalho, ao estresse ou ao uso de telas.

Segundo a autora correspondente do estudo, Marie-Pierre St-Onge, esse padrão representa melhor a realidade de grande parte da população adulta e ajuda a compreender os efeitos de uma restrição moderada, mas contínua, do sono.

Dormir bem também faz parte da prevenção

Os pesquisadores destacam que os resultados não significam que toda pessoa que durma cerca de 80 minutos a menos por noite ganhará exatamente meio quilo em seis semanas. No entanto, o estudo reforça que pequenas reduções no tempo de sono, quando repetidas por longos períodos, podem provocar mudanças graduais no organismo.

Segundo os autores, manter uma rotina regular de sono pode ser tão importante quanto adotar uma alimentação equilibrada e praticar atividade física para reduzir o risco de ganho de peso e de doenças relacionadas à obesidade.

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