Ciência

Telescópio Euclid revela a imagem mais detalhada do centro da Via Láctea

Registro da missão Euclid reúne mais de 60 milhões de estrelas e poderá ajudar cientistas a confirmar e medir a massa de exoplanetas

Via Láctea: imagem reúne mais de 60 milhões de estrelas no registro mais detalhado do centro da galáxia (ESA/Euclid/Euclid Consortium/Nasa)

Via Láctea: imagem reúne mais de 60 milhões de estrelas no registro mais detalhado do centro da galáxia (ESA/Euclid/Euclid Consortium/Nasa)

Publicado em 29 de junho de 2026 às 20h51.

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A missão Euclid, da Agência Espacial Europeia (ESA), divulgou a maior e mais detalhada imagem já obtida do centro da Via Láctea em luz visível. O mosaico reúne mais de 60 milhões de estrelas, além de nebulosas e aglomerados estelares, e deve ajudar cientistas a confirmar a existência de exoplanetas e medir suas massas com maior precisão.

Embora o telescópio tenha sido projetado para investigar matéria escura e energia escura observando galáxias distantes, a missão dedicou cerca de 26 horas para registrar o bojo da Via Láctea, região extremamente densa localizada no centro da galáxia.

A imagem foi capturada em 23 de março de 2025 e divulgada pela ESA na última quarta-feira, 24.

Mosaico cobre uma área muito maior que o Hubble

O registro foi produzido a partir de nove apontamentos da câmera de luz visível (VIS) do Euclid. Cada um cobre uma área do céu superior ao tamanho aparente da Lua cheia.

Segundo a ESA, a resolução e a sensibilidade do instrumento são comparáveis às da câmera de campo amplo do Telescópio Espacial Hubble, mas cada imagem do Euclid cobre uma área 270 vezes maior.

Para obter um mosaico equivalente utilizando o Observatório Keck seriam necessárias cerca de 2 mil horas de observação.

Imagem ajudará na busca por exoplanetas

O principal objetivo da observação é auxiliar pesquisas que utilizam a técnica da microlente gravitacional, um método capaz de detectar exoplanetas quando uma estrela passa exatamente à frente de outra.

Nesse alinhamento, a gravidade da estrela em primeiro plano curva e amplia a luz da estrela mais distante. Caso exista um planeta orbitando essa estrela, sua gravidade produz uma pequena alteração adicional no brilho observado, permitindo identificar sua presença.

Segundo Jean-Philippe Beaulieu, do Instituto de Astrofísica de Paris e um dos responsáveis pelo levantamento, regiões próximas ao centro da Via Láctea concentram um grande número de estrelas, tornando-se ideais para esse tipo de observação.

Nos últimos 20 anos, quase 300 exoplanetas foram descobertos por microlente gravitacional, todos utilizando telescópios terrestres.

Dados servirão de referência para futuras descobertas

Embora um único dia de observação não seja suficiente para registrar novos eventos de microlente gravitacional, a imagem permitirá que futuras missões comparem a posição e o movimento das estrelas ao longo do tempo.

Segundo Natalia Rektsini, do Instituto de Astrofísica de Paris, esses dados funcionarão como um registro de referência para observações realizadas futuramente pelo telescópio espacial Nancy Grace Roman, da Nasa.

Com isso, será possível confirmar a existência de exoplanetas detectados por microlente gravitacional e calcular suas massas com maior precisão.

Além da busca por exoplanetas, a imagem poderá ser utilizada para estudar estrelas binárias, anãs marrons, movimentos estelares, distribuição de poeira interestelar e outras características da estrutura da Via Láctea.

Lançado em 2023, o Euclid deverá operar por seis anos. Sua missão principal é mapear bilhões de galáxias para investigar a influência da matéria escura e da energia escura na evolução do Universo. Os cientistas destacam que observações como esta mostram que o telescópio também poderá contribuir para pesquisas sobre a nossa própria galáxia.

Veja os registros inéditos do centro da Via Láctea

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