Ciência

Hubble detecta galáxia 'quase invisível' dominada por matéria escura

Objeto chamado CDG-2 pode conter 99,9% de matéria escura e quase nenhuma estrela

Espaço fotografado pela NASA através do telescópio Hubble (ESA/Hubble/NASA)

Espaço fotografado pela NASA através do telescópio Hubble (ESA/Hubble/NASA)

Publicado em 5 de março de 2026 às 06h24.

Astrônomos identificaram uma galáxia tênue que pode ser composta quase totalmente por matéria escura, uma das substâncias mais misteriosas do universo. O objeto, chamado Galáxia Candidata Escura-2 (CDG-2), foi detectado com dados do Telescópio Espacial Hubble e pode conter cerca de 99,9% de matéria escura, segundo pesquisadores.

A descoberta foi apresentada em um estudo publicado na revista científica The Astrophysical Journal Letters. Caso novas observações confirmem os dados, a CDG-2 poderá se tornar uma das galáxias com maior concentração de matéria escura já identificadas.

A matéria escura representa a maior parte da massa do universo. Estimativas indicam que ela seja cerca de cinco vezes mais abundante que a matéria comum, responsável pela formação de estrelas, planetas e galáxias. Apesar disso, essa substância invisível não pode ser observada diretamente e é detectada apenas por seus efeitos gravitacionais.

Galáxia escura CDG-2

A CDG-2 está localizada a cerca de 300 milhões de anos-luz da Terra, dentro do Aglomerado de Perseu, um grande conjunto de sistema estelar. O objeto apresenta um brilho extremamente fraco, o que dificulta sua observação direta.

Esse tipo de estrutura é classificado como galáxia de baixo brilho superficial, uma categoria que possui poucas estrelas visíveis. Em alguns casos, a quantidade de matéria escura pode ser tão dominante que esses objetos se aproximam do conceito de “galáxias escuras”, estruturas que conteriam pouca ou nenhuma estrela.

Segundo os pesquisadores, a CDG-2 pode representar um exemplo próximo desse tipo de sistema cósmico.

Detecção das galáxias com múltiplos telescópios

Para identificar o objeto, os cientistas analisaram dados obtidos por três instrumentos astronômicos:

  • Telescópio Espacial Hubble, da NASA
  • Telescópio espacial Euclid, da Agência Espacial Europeia
  • Telescópio Subaru, localizado no Havaí

Durante a análise, os pesquisadores localizaram quatro aglomerados globulares, que são conjuntos compactos de estrelas antigas. Esses agrupamentos podem permanecer visíveis mesmo quando o sistema estelar ao redor possui brilho muito baixo.

A presença desses aglomerados indicou que existe uma grande quantidade de massa gravitacional na região. Como a galáxia tem poucas estrelas, os cientistas sugerem que essa massa seja composta principalmente por matéria escura.

Formação da galáxia

Os astrônomos acreditam que a CDG-2 tenha perdido o gás hidrogênio necessário para formar novas estrelas durante sua evolução. Esse processo pode ocorrer quando galáxias maiores removem o gás de sistemas menores próximos.

Sem matéria suficiente para continuar produzindo estrelas, o sistema estelar teria permanecido apenas com um halo de matéria escura e alguns aglomerados globulares.

Como resultado, a CDG-2 apresenta um brilho extremamente baixo. Estimativas indicam que ela tem apenas 0,005% do brilho da Via Láctea, galáxia onde está o Sistema Solar.

Descobertas sobre a matéria escura

Pesquisadores afirmam que novas observações serão necessárias para confirmar a quantidade de matéria escura presente na CDG-2. Um dos instrumentos que poderá ajudar nessa análise é o Telescópio Espacial James Webb, capaz de observar objetos muito distantes com maior sensibilidade.

A identificação dessa galáxia também sugere que outros objetos semelhantes podem existir em grande número no universo. O método utilizado na descoberta, baseado na busca por aglomerados globulares, pode ajudar cientistas a encontrar novas galáxias escuras nos próximos anos.

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