Ciência

Nova pílula para colesterol pode mudar o tratamento de pacientes

Desenvolvido pela Merck, o medicamento pode reduzir o LDL em até 70% quando combinado a outras terapias

Colesterol: comprimido aprovado pela FDA pode complementar o uso de estatinas (Imagem gerada por IA/EXAME/Exame)

Colesterol: comprimido aprovado pela FDA pode complementar o uso de estatinas (Imagem gerada por IA/EXAME/Exame)

Publicado em 18 de julho de 2026 às 09h44.

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Pacientes que precisam reduzir o colesterol LDL, conhecido como "colesterol ruim", ganharam uma nova opção de tratamento. A agência reguladora de medicamentos dos Estados Unidos (FDA) aprovou na última quinta-feira, 16, uma pílula que utiliza o mesmo mecanismo dos modernos medicamentos injetáveis e pode reduzir os níveis de LDL em até 70% quando combinada a outras terapias.

O medicamento, chamado enlicitide e que será comercializado com o nome Lipfendra, foi desenvolvido pela Merck. Segundo informações do jornal The New York Times, a expectativa é que o comprimido chegue ao mercado norte-americano nas próximas semanas.

Como funciona a nova pílula para colesterol

O Lipfendra pertence à classe dos inibidores da proteína PCSK9, responsável por reduzir a capacidade do organismo de remover o colesterol LDL da circulação. Ao bloquear essa proteína, o medicamento permite que o fígado elimine mais colesterol do sangue, diminuindo o risco de formação de placas nas artérias.

Até o momento, todos os medicamentos dessa classe eram administrados por injeção. A aprovação do Lipfendra marca a chegada da primeira opção oral baseada nesse mecanismo.

Diferentemente das estatinas, que podem ser tomadas em diferentes horários e com alimentos, o novo medicamento deve ser ingerido pela manhã, em jejum, acompanhado apenas de água, café preto ou chá sem açúcar.

Como o novo remédio se compara às estatinas?

As estatinas continuam sendo o tratamento de primeira escolha para reduzir o colesterol, principalmente porque possuem décadas de uso, amplo histórico de segurança e baixo custo.

Dependendo da dose e do medicamento utilizado, elas reduzem o colesterol LDL entre 30% e 50%. Outras opções orais, como a ezetimiba e o ácido bempedoico, costumam diminuir o LDL em cerca de 20%.

Nos estudos clínicos apresentados à FDA, o Lipfendra demonstrou eficácia semelhante à dos inibidores de PCSK9 injetáveis, capazes de reduzir o colesterol LDL entre 60% e 70%.

Pesquisas anteriores também mostraram que os medicamentos dessa classe reduzem o risco de infarto, acidente vascular cerebral (AVC) e morte por doenças cardiovasculares em aproximadamente 20% entre pacientes de alto risco.

Quem pode se beneficiar do novo tratamento?

Embora as estatinas continuem sendo a primeira opção para a maioria dos pacientes, especialistas destacados pelo NYT apontam que, algumas pessoas não toleram esses medicamentos ou não conseguem atingir as metas de colesterol apenas com esse tratamento. Nesses casos, os inibidores de PCSK9 podem ser utilizados para promover uma redução adicional do colesterol LDL.

As novas diretrizes da Associação Americana do Coração (AHA) recomendam que pessoas que já sofreram infarto ou AVC mantenham níveis de LDL inferiores a 55 mg/dL. Para indivíduos com alto risco cardiovascular, mas sem doença estabelecida, a meta geralmente é inferior a 70 mg/dL.

Os especialistas também destacam que essa classe de medicamentos reduz os níveis de lipoproteína(a), conhecida como Lp(a), um fator de risco cardiovascular que não costuma responder ao tratamento com estatinas.

Quando é indicado medir o colesterol?

As diretrizes da AHA recomendam que todos os adultos realizem exames de colesterol pelo menos a cada cinco anos a partir dos 19 anos de idade. O exame mais utilizado é o perfil lipídico, que mede o colesterol LDL, HDL, colesterol total e triglicerídeos.

As recomendações também orientam que todos os adultos façam pelo menos uma dosagem de Lp(a) ao longo da vida, já que níveis elevados dessa proteína podem aumentar o risco de doenças cardiovasculares independentemente do colesterol tradicional.

Embora o Lipfendra represente um avanço no tratamento do colesterol elevado, especialistas ressaltam que mudanças no estilo de vida, como alimentação equilibrada, prática regular de atividade física e abandono do tabagismo, continuam sendo fundamentais para reduzir o risco de doenças cardiovasculares.

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