Celina Leão (Neila Rocha/Ascom/MCTI/Divulgação)
Repórter especial em Brasília
Publicado em 18 de julho de 2026 às 13h18.
Última atualização em 18 de julho de 2026 às 13h22.
A governadora do Distrito Federal, Celina Leão (PP), afirmou neste sábado, 18, que a ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro (PL) ainda não decidiu se será candidata ao Senado pelo Distrito Federal nas eleições deste ano, mas reafirmou que a tem exortado a entrar na disputa.
"Tenho conversado com a Michelle e a estimulado para que ela venha a ser candidata (ao Senado pelo Distrito Federal). Eu sempre falo que nós mulheres somos poucas na política, poucas que têm chance de chegar (à vitória), mas ela ainda não tomou a decisão. Nosso gesto é que ela venha disputar", afirmou Celina durante ato de sua pré-campanha em Ceilândia, região administrativa do Distrito Federal e terra-natal de Michelle.
Celina, que é do círculo íntimo de conselheiras políticas de Michelle, argumentou que a esposa de Bolsonaro acumulou capital político durante o período em que presidiu o PL Mulher, quando percorreu o país organizando diretórios femininos da legenda, e disse que esse trabalho não deveria ser interrompido.
"Tenho falado para ela que, quando fez um trabalho no Brasil inteiro, de abrir diretórios de mulheres, e tem esse trabalho prestado, ela não pode desistir no meio do caminho. É o que as pessoas esperam dela", afirmou Celina.
Michelle tem manifestado relutância em disputar o cargo, mesmo sendo favorita de acordo com as sondagens eleitorais mais recentes, que a colocam como líder. O motivo da indecisão é a crise desatada na pré-campanha presidencial de Flávio Bolsonaro (PL-RJ) pela publicação de um vídeo da ex-primeira-dama em que ela diz ter sido maltratada e humilhada pelo enteado por ter criticado a aliança do PL com Ciro Gomes no Ceará.
Segundo a dirigente do PP, Michelle tem manifestado preocupação em conciliar a vida política com a família, mas um mandato parlamentar seria compatível com esse objetivo.
"Ela também sempre fala que entre a vida pessoal e a política, ela já escolheu. Não tenho dúvida de que, se tivesse de escolher entre a política e a família, escolheria a família. Mas acho que, em um cargo no Senado, ela teria condição de trabalhar pelo Distrito Federal", ressaltou a governadora.
A possível candidatura de Michelle ao Senado ocorre em meio à crise mais recente envolvendo a família Bolsonaro. O desgaste teve início em 24 de junho, quando a ex-primeira-dama publicou dois longos vídeos em suas redes sociais em que afirmou ter sido "apunhalada" e fez críticas indiretas ao senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), em meio às divergências sobre a condução da pré-campanha presidencial e disputas internas pelo comando político do grupo bolsonarista.
O episódio aprofundou o racha entre os dois e teve como repercussão política direta a saída de Michelle da presidência nacional do PL Mulher em 30 de junho. Ela ocupava o cargo desde 2022 e percorreu o país estruturando diretórios femininos da legenda de Valdemar Costa Neto.
A crise ganhou um novo capítulo em 11 de julho, quando Flávio divulgou uma carta manuscrita de Jair Bolsonaro, após ter visitado o ex-presidente, que está em prisão domiciliar humanitária.
No documento, o ex-presidente afirmava que o senador é seu "porta-voz" e o nome escolhido para representá-lo politicamente, além de conclamar a família e os apoiadores a se unirem em torno de sua candidatura ao Palácio do Planalto.
Dois dias depois, em 13 de julho, o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), concluiu que a divulgação da carta violava medidas cautelares impostas a Jair Bolsonaro, que está proibido de utilizar redes sociais, inclusive por intermédio de terceiros.
Por isso, Moraes suspendeu por 90 dias as visitas de Flávio ao pai e, nesta sexta-feira, 17, suspendeu todas as visitas sociais ao ex-presidente por 30 dias.