Ciência

Prisão de ventre? Por que astronautas têm dificuldade para ir ao banheiro no espaço

Análise de 52 amostras de sangue revelou alterações na fermentação de proteínas poucas semanas após a chegada à microgravidade

Astronautas: pesquisa aponta que viagens espaciais podem provocar mudanças no funcionamento intestinal (Freepik)

Astronautas: pesquisa aponta que viagens espaciais podem provocar mudanças no funcionamento intestinal (Freepik)

Publicado em 31 de agosto de 2026 às 18h25.

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Ir ao banheiro pode se tornar uma tarefa mais difícil durante uma viagem espacial. Um estudo com 52 amostras de sangue de astronautas identificou mudanças no metabolismo e na atividade das bactérias do intestino após a entrada em microgravidade.

Os resultados fazem parte da pesquisa conduzida por cientistas da Nasa e da Universidade de Copenhague, na Dinamarca. As análises foram publicadas na revista Nature Communications e ajudam a explicar alterações digestivas observadas durante missões espaciais.

Como o espaço afeta a digestão

A ausência da gravidade terrestre modifica a distribuição dos fluidos no organismo e interfere no funcionamento do trato gastrointestinal. Esse processo pode contribuir para mudanças no trânsito intestinal.

O problema não está apenas na movimentação do conteúdo digestivo. A equipe também encontrou alterações no modo como os microrganismos do intestino processam os nutrientes durante a permanência no espaço.

Entre essas mudanças está o aumento da fermentação de proteínas. Esse processo ocorre quando bactérias utilizam esse nutriente como fonte de energia, sobretudo depois que os carboidratos disponíveis para fermentação diminuem.

Bactérias intestinais mudam durante a missão

Os pesquisadores identificaram nos exames sinais de que os microrganismos passaram a produzir diferentes metabólitos, moléculas resultantes das reações químicas do metabolismo.

Essas substâncias funcionam como indicadores do que está acontecendo no organismo. Por isso, a análise permitiu acompanhar alterações relacionadas ao funcionamento do intestino sem depender apenas dos sintomas relatados pelos tripulantes.

Segundo os resultados, o aumento da fermentação proteica começou poucas semanas depois da chegada ao espaço. A mudança permaneceu durante a missão e diminuiu após o retorno à Terra.

O que são metabólitos

Os metabólitos são pequenas moléculas produzidas ou modificadas durante os processos químicos que acontecem no organismo. Eles podem fornecer pistas sobre a atividade de diferentes órgãos e sistemas.

No estudo, essas substâncias ajudaram os cientistas a identificar alterações associadas ao funcionamento intestinal. Algumas delas estão relacionadas a processos que podem afetar outras áreas do organismo.

A produção elevada de determinados compostos derivados da fermentação proteica, por exemplo, já foi associada em outros contextos a alterações metabólicas. Os pesquisadores consideram importante investigar se mudanças semelhantes durante missões espaciais podem ter consequências para a saúde dos astronautas.

Por que isso importa para futuras missões

Com missões espaciais cada vez mais longas, entender como o organismo reage à microgravidade se torna uma questão importante para a medicina espacial.

Viagens para a Lua e, futuramente, para Marte podem manter astronautas longe da Terra por períodos prolongados. Nesse cenário, alterações no sistema digestivo e no metabolismo precisam ser compreendidas para reduzir possíveis impactos à saúde.

Os resultados também reforçam a importância de estudar a relação entre microbioma intestinal, alimentação e metabolismo durante viagens espaciais. A partir dessas informações, os cientistas poderão avaliar estratégias para preservar o funcionamento do organismo em missões de longa duração.

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