Ciência

‘Mega-Terra’: planeta rochoso 23 vezes mais massivo intriga cientistas

Descoberta do GJ 523b pode mudar a compreensão sobre a origem e a evolução de corpos gigantes no Universo

Exoplaneta: GJ 523b reúne características incomuns que desafiam os modelos atuais de formação planetária (NASA/JPL-Caltech/R. Hurt (SSC))

Exoplaneta: GJ 523b reúne características incomuns que desafiam os modelos atuais de formação planetária (NASA/JPL-Caltech/R. Hurt (SSC))

Publicado em 22 de agosto de 2026 às 08h39.

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Astrônomos identificaram um exoplaneta que desafia as principais teorias sobre a formação dos planetas. Batizado de GJ 523b, o mundo possui cerca de 23 vezes a massa da Terra e aproximadamente 2,5 vezes seu diâmetro, mas, apesar do tamanho, apresenta características de um planeta predominantemente rochoso, quando o esperado seria que tivesse desenvolvido uma espessa atmosfera de hidrogênio e hélio.

A descoberta foi feita por uma equipe internacional de pesquisadores e divulgada pela Universidade de Wisconsin-Madison. O estudo foi submetido ao The Astronomical Journal e segue disponível na plataforma arXiv, sem revisão por pares.

Planeta tem densidade incomum para seu tamanho

O GJ 523b foi identificado inicialmente pelo satélite TESS (Transiting Exoplanet Survey Satellite), da Nasa, que detecta planetas ao observar pequenas quedas no brilho de estrelas durante o trânsito de seus companheiros.

Posteriormente, os pesquisadores utilizaram o telescópio WIYN, no Observatório Nacional de Kitt Peak, no Arizona, para medir a influência gravitacional do planeta sobre sua estrela.

Combinando os dados, a equipe concluiu que o exoplaneta possui aproximadamente 23,5 vezes a massa da Terra, 2,55 vezes seu raio e uma densidade considerada elevada para um objeto desse porte. Ele completa uma órbita ao redor da estrela hospedeira a cada 17,75 dias, e o sistema tem idade estimada em cerca de 170 milhões de anos, sendo considerado relativamente jovem.

Descoberta desafia modelos de formação planetária

Segundo os modelos atuais, planetas começam formando um núcleo de rochas e metais. Quando esse núcleo atinge cerca de 20 massas terrestres, sua gravidade normalmente passa a capturar grandes quantidades de hidrogênio e hélio presentes no disco de gás que envolve estrelas jovens. Foi assim que, segundo os cientistas, surgiram gigantes gasosos como Júpiter e Saturno.

O GJ 523b, porém, parece ter seguido um caminho diferente. Mesmo ultrapassando esse limite de massa, os dados indicam que ele não acumulou uma atmosfera espessa e permaneceu predominantemente rochoso.

Segundo o autor principal do estudo, Max Kroft, esse resultado surpreendeu a equipe. "Isso não era nada do que esperávamos", afirmou o pesquisador em comunicado da Universidade de Wisconsin-Madison. Segundo ele, planetas muito densos costumam ser pequenos, semelhantes à Terra ou a Mercúrio, e não mundos com dimensões tão grandes, como a registrada.

Cientistas investigam como 'mega-Terra' se formou

Os pesquisadores ainda não sabem por que o GJ 523b evoluiu de forma tão diferente da prevista pelos modelos. Uma das hipóteses é que o planeta tenha se formado com uma atmosfera muito mais espessa, que posteriormente foi perdida ao longo de sua evolução.

Outra possibilidade é que ele seja resultado da colisão entre dois planetas menores. Nesse cenário, boa parte dos gases teria sido expelida para o espaço, restando um corpo extremamente massivo e predominantemente rochoso.

 

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