Ciência

Lua de Marte pode ter ficado no 'formato de batata' após impacto de asteroide

Simulações indicam que uma colisão espalhou poeira pela superfície de Deimos e remodelou o satélite, hipótese que poderá ser testada por uma missão japonesa

Lua de Marte: simulações sugerem que um antigo impacto de asteroide deu a Deimos seu formato característico e remodelou sua superfície (Nasa)

Lua de Marte: simulações sugerem que um antigo impacto de asteroide deu a Deimos seu formato característico e remodelou sua superfície (Nasa)

Publicado em 24 de agosto de 2026 às 19h23.

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A pequena lua Deimos, que orbita Marte, pode ter ficado com formato irregular e sua superfície relativamente lisa após ser atingida por um asteroide. A conclusão é de um estudo publicado na revista Nature Astronomy, cujas simulações sugerem que uma única colisão foi suficiente para criar uma enorme cratera no polo sul e espalhar uma camada de poeira que transformou completamente a aparência do satélite natural.

Além de explicar por que Deimos tem muito menos crateras do que sua lua irmã, Fobos, o trabalho apresenta previsões que poderão ser verificadas pela missão japonesa Martian Moons eXploration (MMX), da JAXA, prevista para ser lançada ainda este ano.

Simulações reconstruíram o impacto

Para investigar a origem das características de Deimos, pesquisadores utilizaram um modelo computacional capaz de reproduzir colisões entre corpos rochosos do Sistema Solar. Foram realizados cerca de cem cenários diferentes, variando fatores como o tamanho do asteroide, o ângulo da colisão e a estrutura interna da lua.

Em seguida, os resultados foram comparados às imagens obtidas pela missão Hera, da Agência Espacial Europeia (ESA), durante um sobrevoo realizado em março de 2025.

Segundo os pesquisadores, o cenário que melhor reproduziu as observações envolve um asteroide com aproximadamente 320 metros de diâmetro atingindo Deimos em um ângulo de cerca de 45 graus.

Colisão espalhou poeira por toda a lua

De acordo com as simulações, o impacto lançou enormes quantidades de fragmentos sobre toda a superfície da lua. Esse  material formou uma camada de regolito — mistura de poeira e detritos rochosos — que, em alguns locais, pode alcançar até 200 metros de espessura. Como consequência, muitas crateras antigas ficaram parcialmente cobertas, dando a Deimos uma aparência muito mais lisa do que Fobos.

Os autores afirmam que a colisão foi suficientemente intensa para redistribuir material por toda a lua, mas não a ponto de destruí-la.

As imagens registradas pela sonda Hera ainda revelam contornos de crateras antigas sob essa camada superficial, reforçando a hipótese apresentada pelo estudo.

Interior pode ser semelhante a um 'amontoado de escombros'

Outro resultado das simulações indica que o interior de Deimos provavelmente é altamente poroso. Segundo os pesquisadores, essa característica teria amortecido as ondas de choque produzidas pela colisão. Caso a lua fosse formada por um bloco rochoso compacto, o impacto teria apagado muito mais estruturas da superfície.

Essa composição aproxima Deimos dos chamados "rubble piles", ou "pilhas de escombros": corpos constituídos por fragmentos rochosos mantidos unidos principalmente pela própria gravidade.

Origem das luas de Marte continua em aberto

Apesar dos novos resultados, a pesquisa não resolve uma das maiores dúvidas sobre Deimos e Fobos: como essas luas surgiram.

Uma das hipóteses propõe que ambas sejam antigos asteroides capturados pela gravidade de Marte. Outra possibilidade é que tenham se formado a partir de material lançado ao espaço após um grande impacto no próprio planeta.

Segundo a autora principal do estudo, Sabina Raducan, o fato de Deimos apresentar uma estrutura semelhante à de um asteroide não significa necessariamente que essa tenha sido sua origem.

Missão japonesa poderá testar a hipótese

Os cientistas esperam que a missão MMX, da Agência Espacial Japonesa (JAXA), forneça dados capazes de esclarecer tanto a origem das luas marcianas quanto a história desse antigo impacto.

A espaçonave deverá chegar ao sistema de Marte em 2027. Durante cerca de dois anos, fará observações detalhadas de Fobos, coletará amostras da superfície da lua e também estudará Deimos à distância.

As amostras recolhidas deverão retornar à Terra em 2031.

 

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